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terça-feira, 27 de setembro de 2022

O ASSÉDIO ELEITORAL E A MORTE DA DEMOCRACIA

 






O ASSÉDIO ELEITORAL E A MORTE DA DEMOCRACIA

 

Nildo Viana

 

Recentemente surgiram os termos “assédio moral” e “assédio sexual”. A existência dos fenômenos que hoje são denominados “assédio moral” e “assédio sexual” é antiga e muito anterior ao surgimento desses termos, que datam dos anos 1990 e 1970, respectivamente. A existência do fenômeno precede a consciência de sua existência e não poderia ser diferente. Porém, em certos casos a consciência, em nível coletivo, é muito lenta para efetivar tal reconhecimento. Hoje estamos diante da percepção de uma nova forma de assédio, o eleitoral. O assédio eleitoral também não é novo, mas que agora ganha novas formas de manifestação.

O assédio eleitoral no trabalho é reconhecido e é considerado crime. Porém, não é apenas no âmbito do trabalho que existe assédio eleitoral, embora nesse contexto seja mais danoso. O assédio eleitoral, aqui entendido como constrangimento de eleitores para votarem em determinados candidatos ou partidos, pode ocorrer em qualquer lugar, e assumir diversas formas. Esse constrangimento, tanto no âmbito do trabalho quanto em outros, muitas vezes é denunciado, mas na maioria dos casos é ocultado, pois o medo dos que estão submetidos a ele é maior do que a disposição em denunciar.

Nessa concepção mais ampla de assédio eleitoral, o caso se torna ainda mais grave. A democracia representativa, também chamada de democracia burguesa ou democracia partidária, se legitima pelo discurso da “livre escolha” dos eleitores em relação aos candidatos que irá votar, ou que não irá votar, incluindo a possibilidade de voto nulo e voto em branco. O que vem ocorrendo no Brasil, nos últimos tempos, é um índice crescente de assédio eleitoral. A existência do assédio eleitoral em alta escala, por sua vez, corrói a legitimidade da democracia representativa. Ora, se os indivíduos não podem escolher livremente seus candidatos, pois estão submetidos a diversos constrangimentos públicos, tal como em redes sociais virtuais, lugares públicos em geral, então não há “democracia representativa” nem no plano formal. O poder do dinheiro e da publicidade, do discurso eleitoral e suas promessas irrealizáveis, entre outros elementos, já limitam demasiadamente tal legitimidade. O advento do assédio eleitoral via meios oligopolistas de comunicação e internet significa uma total deslegitimação da democracia representativa.

O exemplo mais recente disso é a prática de alguns governos (estaduais e municipais), partidos e candidatos, de pressionar e constranger os indivíduos a votar em seu partido ou candidato. As ameaças de uso da força física são outro elemento que vem se ampliando, bem como o assassinato por motivos eleitorais. Alguns casos recentes na sociedade brasileira mostram isso. Esse processo gera medo e restringe ainda mais a liberdade de escolha e posicionamento, por um lado, e a liberdade de expressar sua escolha e posicionamento, por outro. Hoje em dia, se alguém aparece publicamente para defender voto nulo, o que é um direito de qualquer um, pode ouvir ameaças de agressão física. Se defende candidato X, também. Alguns, simplesmente por não defenderem candidato Y, sofrem riscos de agressão verbal e/ou física.

E isso fica ainda mais grave quando o assédio eleitoral se torna “institucionalizado” e atingindo até candidatos. O caso exemplar é o que vem ocorrendo com o candidato à presidência, Ciro Gomes. Ele vem sendo alvo de assédio eleitoral de diversos defensores da candidatura Lula. Isso pode ser visto através da imprensa, na qual se vê “Carta de lideranças” políticas, solicitação de artistas, etc. pela sua “renúncia”, o que é um absurdo político. Solicitar a um candidato que desista de sua candidatura para apoiar outro candidato é algo que somente pessoas fora da realidade ou fanáticos fariam. E isso é pior ainda tendo em vista que é no primeiro turno de uma eleição de dois turnos. Sem dúvida, para algumas pessoas que pensam que se trata de uma “luta pela democracia” (o PT seria o representante dessa suposta “democracia”) contra o “fascismo” (identificado com Jair Bolsonaro, banalizando a palavra e retirando o seu significado original e autêntico), esse assédio eleitoral parece ter algum sentido. Porém, o raciocínio dessas pessoas parte de uma concepção segundo a qual o outro deve pensar como eu penso. Isso é extremamente antidemocrático, tanto no pensamento (“o outro deve pensar como eu penso e por isso deve abrir mão do que pensa – e, nesse caso, de sua candidatura – para defender o que eu defendo e votar em que eu voto”), quanto na ação (expressar isso e pressionar o outro para acatar tal pensamento). Isso revela que não se trata de uma “luta pela democracia contra o fascismo” e sim de uma luta antidemocrática realizada por falsos democratas para seu partido chegar ao poder. Ao realizar uma luta antidemocrática, mesmo que em nome da democracia, enfraquece essa e fortalece o que considera oposto. Porém, é claro, o que está em jogo não é um princípio abstrato de democracia e sim interesses e luta pelo poder.

Num debate presidencial recente, o assédio eleitoral se manifestou novamente quando uma jornalista perguntou ao candidato Ciro Gomes qual seria a posição do seu partido no Segundo Turno e, caso o partido apoiasse o candidato Lula, se ele sairia do partido[1]. Ciro Gomes não respondeu, obviamente, e falou da “morte do jornalismo”. No fundo, é apenas a miséria do jornalismo, que, assim como grande parte da intelectualidade, abandonou não só o discurso da “neutralidade” ou “imparcialidade”, como também o bom senso. O tema do voto útil não apareceu por acaso e visava constranger Ciro Gomes a se posicionar diante de um suposto segundo turno, o que teria efeitos eleitorais.

Todos esses constrangimentos visam anular determinadas candidaturas em benefício de outra. Se os candidatos no primeiro turno devem renunciar para ajudar a decidir quem vai ganhar nesse momento, então não tem mais sentido a sua existência. O que esses intelectuais partidários deveriam fazer é questionar eleições em dois turnos ao invés de constranger um candidato para que desista em favor do candidato deles. Esses acontecimentos são sinais de que a democracia representativa está perdendo as suas principais fontes de legitimação, a legal e a formal.

A democracia representativa já está bastante desgastada e deslegitimizada e isso vem gerando várias formas de recusa, desde aqueles que reivindicam ditadura, passando pelos críticos que querem seu “aperfeiçoamento” ou que são pessimistas e a consideram falida, até chegar aos que querem uma revolução e sua substituição pela autogestão. Se a democracia representativa não quer morrer em breve, deve reagir. Ela, para tentar sobreviver, deveria combater todas as formas de assédio eleitoral. Para garantir a sua legitimidade formal e legal, a democracia representativa precisa não só permitir que as pessoas possam escolher livremente em quem vão votar (inclusive votando nulo ou em branco), e também abolir a lei antidemocrática que gera o “voto obrigatório” e dificulta a abstenção, bem como impedir o assédio eleitoral.

Obviamente que essa é uma concepção relativamente ingênua da democracia representativa. Embora algumas mudanças, como abolição do voto obrigatório e impedimento de algumas manifestações de assédio eleitoral, sejam possíveis, a democracia representativa não possui vida própria. Ela é controlada pelo aparato estatal, que, por sua vez, é controlado pelo capital, ou seja, pela classe capitalista. Portanto, as mudanças que podem ocorrer são limitadas. Além disso, em suas disputas estão envolvidos políticos profissionais e partidos ávidos pelo poder e que não hesitam em assediar eleitoralmente quem quer que seja, bem como conseguem criar correntes de opinião em favor do constrangimento eleitoral a favor dos seus candidatos e partidos. Na luta pelo poder, eles pouco se preocupam em saber como isso atinge a democracia ou quais as suas consequências sociais e econômicas.

O caso brasileiro atual é mais grave por causa da polarização criada entre Lula e Bolsonaro, entre petistas e bolsonaristas, que são muito parecidos, diga-se de passagem, que gerou um círculo vicioso, no qual há uma retroalimentação. O fanatismo de um lado, reforça o do outro. Mas, pior que isso, o crescimento eleitoral de um reforça o de outro, pois além dos fanáticos dos dois lados, ainda há a rejeição enorme que os dois conseguem no resto da população. Assim, o petismo reforça o bolsonarismo e vice-versa, assim como o antipetismo reforça o antibolsonarismo[2] e vice-versa.

Por fim, podemos dizer que o assédio eleitoral é uma realidade e se torna cada vez mais forte, presente e até mesmo ousado. Mas, para o país do coronelismo, a única coisa que mudou da época do “voto de cabresto” para hoje é que agora não temos mais apenas um coronel e sim dois num mesmo território assediando os eleitores, o que gera violência e extrapolação por parte dos seus adeptos. Isso apenas mostra a aproximação do dobre de finados da democracia representativa. O que interessa mesmo é o que virá depois dela e a luta deve ser pela autogestão social, no qual o autogoverno da população dispensa políticos profissionais, partidos e burocratas.



[2] O antipetismo é muito mais forte e numeroso que o bolsonarismo, pois inclui outros setores da população, partidos, interesses, etc.; bem como o antibolsonarismo é muito mais forte que o petismo, por aglutinar, igualmente, um setor mais vasto da população. Nem todo mundo que é contra Bolsonaro é petista e nem todo mundo que é contra Lula é bolsonarista. 

domingo, 26 de junho de 2022

O "Mundo Real" - Música da banda Zero To End

 


A banda Zero to End está lançando seu álbum Circus e uma das músicas em destaque é Real World (Mundo Real, em português). A música apresenta um panorama da sociedade contemporânea e elenca questões como coronavírus, guerra, injustiça, ódio, etc. A partir de uma crítica social expressa alguns dos dilemas da contemporaneidade.

Abaixo o vídeo da música produzido pela banda, que autorizou gentilmente a nova postagem em versão com legenda contendo tradução para idioma português. Essas e outras músicas de qualidade, com crítica social, podem ser ouvidas na Rádio Germinal (link abaixo do vídeo).



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terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

AS CONSEQUÊNCIAS DO SUBJETIVISMO

 

 

PODCAST:

https://anchor.fm/the-edition/episodes/SHORTWAVE--The-Consequences-Of-Subjectivism-e1eo4ha


Abaixo versão em português:


AS CONSEQUÊNCIAS DO SUBJETIVISMO

 

Nildo Viana

 

A mutação cultural que ocorreu após a derrota das lutas sociais do final dos anos 1960 gerou a passagem da hegemonia do paradigma reprodutivista para o paradigma subjetivista. Desde 1945 o paradigma reprodutivista, que se manifestou através de ideologias holistas e objetivistas como o funcionalismo, o estruturalismo e a teoria dos sistemas, foi hegemônico até a emergência dessas lutas e sua crise. Em seu lugar, emerge o paradigma subjetivista, que nasce após 1968, mas só se torna hegemônico após 1980, acompanhando a constituição do neoliberalismo, que, junto com outros processos, constitui o regime de acumulação integral, uma nova fase do capitalismo. Nesse contexto, as ideologias subjetivistas se ampliam, difundem, e se tornam hegemônicas. O reino do subjetivismo se instaura e assume várias formas, englobando diversas concepções (neoliberalismo, pós-estruturalismo, multiculturalismo, política de identidades, etc.). O paradigma subjetivista condena o holismo (a totalidade, as metarrativas) e o objetivismo, gerando várias formas de subjetivismo (irracionalismo, relativismo, etc.). Nesse contexto, questionamos: quais são as consequências do subjetivismo?

A supervaloração do sujeito e da subjetividade é uma realidade. Sem dúvida, existem várias interpretações sobre o que é sujeito e o que é subjetividade, bem como “quem é o sujeito” ou “quem são os sujeitos” (no plural, uma das características do subjetivismo é o uso e abuso de plurais). O sujeito pode ser o indivíduo racional do neoliberalismo, os múltiplos sujeitos do pós-estruturalismo e multiculturalismo, o “gênero”, a “raça”, etc. A isso se associa o fortalecimento do hedonismo, narcisismo, sentimentalismo, que são reforçados pelo advento da expansão da internet e redes sociais. Isso, por sua vez, é útil e complementa o neoliberalismo, que tem como uma de suas características a responsabilização da sociedade civil. Assim emerge a ideia do participacionismo, florescem as “organizações não-governamentais”, entre diversos outros fenômenos correlatos.

As consequências desse processo são visíveis. Uma delas atinge os indivíduos, considerados “livres” em muitas concepções subjetivistas, que passam a se responsabilizar por seu fracasso social, gerando depressão, desequilíbrios psíquicos, uso de drogas, etc. Outra consequência atinge as formas de consciência, gerando descrédito para o saber e incentivando a presunção, a pseudocrítica, o relativismo, e, por conseguinte, crenças conspiracionistas, ideias como a da “terra plana” ou que tudo é “construção cultural” ou “representações”. Uma terceira consequência se revela nos seus efeitos na sociedade civil, especialmente nos movimentos sociais, nos quais seus ativistas passam a defender ideias insustentáveis como “vivência” e “lugar de fala”, bem como passam a interpretar o mundo a partir de antinomias fundada no grupismo e divisão “nós” e “eles”.

Poderíamos elencar outras consequências do subjetivismo, mas nos limitaremos a estas. E aqui entra em questão a responsabilidade dos intelectuais, pois foram estes que produziram as ideologias subjetivistas que se espalham, de forma simplificada, pela sociedade. Ora, uma vez que se percebe as consequências negativas do subjetivismo, é momento de realizar a sua crítica e superação e cabe aos intelectuais assumirem a responsabilidade de contribuir com o esclarecimento e resolução do problema que ajudaram a criar.

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NILDO VIANA é professor universitário da Universidade Federal de Goiás/Brasil. É autor de vários livros, entre os quais, “O Capitalismo na Era da Acumulação Integral”; “Hegemonia Burguesa e Renovações Hegemônicas”; “Os Movimentos Sociais”; “O Modo de Pensar Burguês. Episteme Burguesa e Episteme Marxista”; “A Pesquisa em Representações Cotidianas”; “Karl Marx: A Crítica Desapiedada do Existente”, entre outros.

Para acessar a versão em inglês, clique aqui.

The Consequences of Subjectivism - As Consequências do Subjetivismo

 

PODCAST:

https://anchor.fm/the-edition/episodes/SHORTWAVE--The-Consequences-Of-Subjectivism-e1eo4ha


Abaixo artigo em inglês. Para acessar versão em português, clique aqui.


THE CONSEQUENCES OF SUBJECTIVISM

 

Nildo Viana

 

The cultural mutation that took place after the defeat of the social struggles of the late 1960s generated the shift from the hegemony of the reproductive paradigm to the subjectivist paradigm. Since 1945 the reproductivist paradigm, which manifested itself through holistic and objectivist ideologies such as functionalism, structuralism and systems theory, was hegemonic until the emergence of these struggles and their crisis. In its place, the subjectivist paradigm emerges, born after 1968, but only becomes hegemonic after 1980, following the constitution of neoliberalism, which, together with other processes, constitutes the regime of integral accumulation, a new phase of capitalism. In this context, subjectivist ideologies expand, spread, and become hegemonic. The realm of subjectivism is established and takes various forms, encompassing different conceptions (neoliberalism, post-structuralism, multiculturalism, politics of identity, etc.). The subjectivist paradigm condemns holism (totality, metarratives) and objectivism, generating various forms of subjectivism (irrationalism, relativism, etc.). In this context, we ask: what are the consequences of subjectivism?

The overvaluation of the subject and subjectivity is a reality. Undoubtedly, there are several interpretations of what is subject and what is subjectivity, as well as “who is the subject” or “who are the subjects” (in the plural, one of the characteristics of subjectivism is the use and abuse of plurals). The subject can be the rational individual of neoliberalism, the multiple subjects of post-structuralism and multiculturalism, the “gender”, the “race”, etc. To this is associated the strengthening of hedonism, narcissism, sentimentality, which are reinforced by the advent of the expansion of the internet and social networks. This, in turn, is useful and complements neoliberalism, which has civil society accountability as one of its characteristics. Thus, the idea of participationism emerges, “non-governmental organizations” flourish, among several other related phenomena.

The consequences of this process are visible. One of them affects individuals, considered "free" in many subjectivist conceptions, who become responsible for their social failure, generating depression, psychological imbalances, drug use, etc. Another consequence affects the forms of consciousness, generating discredit for knowledge and encouraging presumption, pseudo-criticism, relativism, and, therefore, conspiracy beliefs, ideas such as the "flat earth" or that everything is "cultural construction" or " representations”. A third consequence is revealed in its effects on civil society, especially in social movements, in which its activists start to defend unsustainable ideas such as " life experience" and "place of speech", as well as interpreting the world from antinomies based on groupism and division “us” and “them”.

We could list other consequences of subjectivism, but we will limit ourselves to these. And here the responsibility of intellectuals comes into question, as they were the ones who produced the subjectivist ideologies that spread, in a simplified way, throughout society. Now, once the negative consequences of subjectivism are perceived, it is time to criticize and overcome it, and it is up to intellectuals to take responsibility for contributing to the clarification and resolution of the problem they helped to create.

NILDO VIANA is a university professor at the Federal University of Goiás/Brazil. He is the author of several books, including, “Capitalism in the Age of Integral Accumulation”; “Bourgeois Buguese Hegemony and Hegemonic Renovations”; “The Social Movements”; “The Bourgeois Way of Thinking. Bourgeois Episteme and Marxist Episteme”; “Research in Everyday Representations”; “Karl Marx: The Merciless Critique of the Existing”, among others.



domingo, 13 de fevereiro de 2022

Nau dos Insensatos - Nau dos Insensatos




Título da Música: "Nau dos Insensatos"

Banda: Nau dos Insensatos

Composição: Nildo Viana
Álbum: Homem ao Mar Ano: 2021 Produção: Gérmen Produções Letra: Vejam quem está embarcando no navio Covardes que se aventuram no mar bravio Bem-vindo à nau dos insensatos No comando um capitão caricato Comandando marinheiros gaiatos E com o porão cheio de ratos Gente rica que o dinheiro falsifica Gente pobre que o dinheiro prejudica O mal-estar está presente E todo mundo finge que não sente Você que entra abandone a lucidez Não há autonomia ou esperança No barco da insensatez Você que entra abandone a lucidez Não há autonomia ou esperança No barco da insensatez Intelectuais sem leitura e reflexão Seguem o fluxo da ilusão Burocratas sem normas e ação Seguem sem direção Artistas que fazem sua arte no pinico Reclamando do lixeiro que a joga no lixo O professor que não ensina De sua boca só sai mentira Você que entra abandone a lucidez Não há autonomia ou esperança No barco da insensatez Você que entra abandone a lucidez Não há autonomia ou esperança No barco da insensatez Progressistas loucos por dinheiro e poder Querem ganhar e não sabem perder Conservadores fanáticos pela grana Querendo velejar em sua terra plana Vivente com lugar de fala Tagarela que só atrapalha Modistas criando linguagem neutra Agora o belo é ser um apedeuta Você que entra abandone a lucidez Não há autonomia ou esperança No barco da insensatez Você que entra abandone a lucidez Não há autonomia ou esperança No barco da insensatez E você embarcou no Titanic Tranquilo como se fosse a um piquenique E agora está num barco rumo ao vagalhão Sem bússola e sem capitão! Você que entra abandone a lucidez Não há autonomia ou esperança No barco da insensatez Você que entra abandone a lucidez Não há autonomia ou esperança No barco da insensatez Você que entra abandone a lucidez Não há autonomia ou esperança No barco da insensatez Veja álbum completo em: https://youtu.be/JbNaeM2c7Bw Essas e outras músicas você ouve na Rádio Germinal: http://radiogerminal.com

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