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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

BEM-VINDO À FALSIDADE - SUPERFICIALIDADE E MEDIOCRIDADE NO CONTO MACHADIANO “TEORIA DO MEDALHÃO”


BEM-VINDO À FALSIDADE
SUPERFICIALIDADE E MEDIOCRIDADE NO CONTO MACHADIANO “TEORIA DO MEDALHÃO”


Maria Angélica Peixoto
Nildo Viana


O conto de Machado de Assis, Teoria do Medalhão, apresenta uma crítica sob a forma de ironia do chamado “medalhão”. Que figura é essa? A resposta a essa questão ajuda a entender o referido conto e a compreender que se trata de uma espécie de indivíduo muito comum em nossa sociedade, o que remete para a questão das relações sociais na modernidade.
O conto gira em torno de um diálogo entre um pai e seu filho, chamado Janjão, a respeito do futuro deste. Janjão chega à maioridade e seu pai senta com o filho para aconselhá-lo. O pai expõe ao filho as diversas possibilidades de profissões, mas destaca a necessidade de, em qualquer uma delas, optar pela condição de medalhão. O conselho é: “te faças grande e ilustre, ou pelo menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum” (MACHADO DE ASSIS, 1994). Os conselhos do pai detalham o que o filho deve fazer para ser um medalhão “lançar mão de um regime debilitante, ler compêndios de retórica, ouvir certos discursos”... e, continua “melhor do que tudo isso, porém, são as frases feitas, as locuções convencionais, as fórmulas consagradas pelos anos, incrustadas na memória individual e pública” (MACHADO DE ASSIS, 1994).
Com a adoção dessa postura, o protagonista do conto não coloca em risco o filho, ao garantir que, seguindo a sugestão paterna, ele poupava os outros da obrigação de “esforços inúteis” e garantia, assim, a afeição e a admiração do público. E ele radicaliza a cada parágrafo do conto as recomendações ao seu rebento. Na lista de sugestões estava também o pedido para que o filho não transcendesse jamais “os limites de uma invejável vulgaridade” (MACHADO DE ASSIS, 1994). O cuidado com a imagem social somava-se à lista e apontava caminhos para se evitar malogros e, para concretizar isso, dentre os prováveis caminhos, estava a necessidade de garantir a divulgação dos feitos não devendo nunca recusar à mesa a presença de repórteres. Essa seria a fórmula do sucesso para um verdadeiro medalhão.
Esse conto traz diversos temas sociológicos e questões que ajudam a pensar sobre a sociedade moderna. O discurso do pai de Janjão para o seu filho permite refletir sobre as questões sociais: a entrada no mundo adulto, o objetivo do indivíduo e os meios para consegui-lo. Um elemento implícito no conto, que certamente não era da intenção de Machado de Assis trabalhar, é a entrada no mundo adulto. Janjão completava 22 anos à meia noite e se tornaria “adulto”. Obviamente que é preciso contextualizar a obra, publicada em 1881, na qual a menoridade se encerrava com 21 anos. Essa entrada, na verdade, não ocorria imediatamente. No fundo, a questão da menoridade e maioridade expressa dois momentos da vida individual, e sair de um momento e ir para outro significa passar da infância e/ou juventude para a vida adulta, o que ocorre de forma diferenciada em sociedades distintas. No fundo, o que o pai de Janjão faz é iniciar o processo de ressocialização do filho, o que, obviamente, será complementado em outros lugares, tal como a escola. A juventude é justamente o momento de ressocialização, que ocorre após a socialização primária, e significa a preparação para a vida adulta, o trabalho e as responsabilidades sociais e familiares, etc. (VIANA, 2015).
O fundamental do conto, no entanto, é o objetivo apresentado pelo pai de Janjão e os meios para se atingir tais objetivos. O objetivo é ter sucesso numa profissão, fazer carreira. Essa é a parte da ressocialização voltada para a preparação para o trabalho. O objetivo é escolher uma profissão, qualquer que seja, e ter sucesso na mesma. Aqui se revela que a ressocialização é para a sociedade capitalista, marcada por uma ampla divisão social do trabalho, na qual cada indivíduo deve se especializar no trabalho, aderindo a uma profissão. A lista apresentada é grande: parlamento, magistratura, imprensa, lavoura, indústria, comércio, letras e artes. Aqui se revela a questão da sociabilidade capitalista: os seres humanos são preparados, e a juventude é o momento chave nesse processo, para a competição social e para vencer acima de tudo. Afinal, é preciso “vencer na vida”. Assim, os jovens são preparados para a competição social, um dos elementos fundamentais da sociabilidade capitalista, com o objetivo de vencer a competição, o que significa realizar o objetivo imposto pela sociedade moderna: sucesso, fama, status, riqueza, poder[1].
O pai de Janjão é claro ao colocar a competição e o objetivo da mesma: “a vida, Janjão, é uma enorme loteria: os prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra” (MACHADO DE ASSIS, 1994). Esse processo é naturalizado: “isto é a vida; não há planger, nem imprecar, mas aceitar as coisas integralmente, com seus ônus e percalços, glórias e desdouros, e ir por diante” (MACHADO DE ASSIS, 1994). Aqui, o pai de Janjão naturaliza a competição social e a existência de vencedores e derrotados.

O foco do conto, no entanto, é no meio para conseguir vencer a competição social. E o meio apresentado é ser “medalhão”. O que é um medalhão? A palavra significava, originalmente, um retrato posto em moldura redonda ou oval. O significado original da palavra continua existindo, mas ela ganhou um novo significado, de caráter social. Os indivíduos que possuem seu retrato em molduras em locais públicos ou empresas são tidos como indivíduos importantes. É o caso de donos de empresas ou políticos importantes, bem como fundadores de instituições. Daí o novo significado da palavra: pessoa importante, “figurão”.
O conto de Machado de Assis critica justamente a figura do “medalhão”. O conselho do pai para o filho é que, independente de qualquer profissão, o importante é vencer a competição e se fazer “grande e ilustre”. O conselho do pai é que, caso o filho fracasse na carreira que escolher, tenha uma alternativa e esta seria a de medalhão. No conto, ser medalhão aparece como “ofício” e “profissão”, mas é apenas uma ironia de Machado de Assis. Os medalhões que existem na sociedade real são tão apegados em buscar aparecer e ter sucesso e fama, que isso parece ser uma profissão, um ofício, exigindo a mesma dedicação que qualquer outra carreira.
A crítica aparece sob a forma de ironia: a inópia mental é “conveniente ao uso deste nobre ofício” e para ter sucesso em tal “profissão” é preciso ler “compêndios de retórica”[2], bem como ouvir certos discursos, jogar voltarete[3], dominó, whist[4] e bilhar[5]. A ironia continua com os demais conselhos: “falar do boato do dia, da anedota da semana, de um contrabando, de uma calúnia, de um cometa”, bem como as crônicas de Mazade[6], a repetição de “frases feitas, as locuções convencionais, as fórmulas consagradas”, entre outras. O pai também aconselha a “nenhuma imaginação” e ainda proíbe que “chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros”; “foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade, etc., etc.”. O uso do adjetivo (“a alma do idioma”) em detrimento do substantivo (“a realidade nua e crua”; “é o naturalismo do vocabulário”) é outra forma de buscar popularidade. Por fim, a superficialidade remete para a não ter posicionamentos, nem mesmo em política. Segundo o pai de Janjão, ele pode ser de qualquer partido (liberal, conservador, republicano, ultramontano), mas seguindo a “cláusula única de não ligar nenhuma ideia especial a esses vocábulos” (MACHADO DE ASSIS, 1994). Em outras palavras, tanto faz qual é o partido, pois ele não deve ter vínculo com nenhuma concepção. O conselho é mais ou menos este: seja do partido liberal, mas não defenda ideias liberais (ou qualquer outro partido e ideia vinculada). O partido é apenas um rótulo.
A ironia com o “medalhão” é uma crítica àqueles indivíduos famosos, mas sem méritos, que não ultrapassam os clichês, os lugares-comuns. A crítica é semelhante à realizada por José Ingenieros ao “homem medíocre”:

Considerado individualmente, a mediocridade poderá ser definida como uma ausência de características pessoais que permitam distinguir o indivíduo em sua sociedade. Esta oferece a todos o mesmo fardo de rotinas, preconceitos e domesticidade; basta reunir cem homens para coincidirem na impersonalidade; ‘reúnam mil gênios num Concílio e terão a alma de um medíocre’. Essas palavras denunciam o que em cada homem não pertence a ele mesmo e que, ao se somar muitos, revela-se pelo baixo nível das opiniões coletivas (INGENIEROS, p. 39).

Em síntese, o conto de Machado de Assis efetiva uma crítica radical a uma espécie de indivíduo que realiza a competição social e busca ganhá-la não através do mérito e sim através da aparência e da falsidade. A superficialidade é o segredo da popularidade, elemento fundamental para o sucesso e a fama. O medalhão é um medíocre e a mediocridade é o meio para conseguir o sucesso. Assim, Machado de Assis busca criticar essa espécie de indivíduo que foi chamado de “medalhão” e, ao fazer isto, acaba revelando elementos da sociabilidade capitalista e outros processos sociais, como a competição, a superficialidade, os chavões, etc.

Referências

INGENIEROS, José. O Homem Medíocre. Curitiba: Chain.

MACHADO DE ASSIS, J. M. Teoria do Medalhão. In: Obra Completa de Machado de Assis. vol. II, Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.

SCHOPENHAUER, Arthur. Como Vencer um Debate sem precisar ter Razão. São Paulo: Topbooks, 2003.

VIANA, Nildo. Juventude e Sociedade. Ensaios sobre a Condição Juvenil. São Paulo: Giostri, 2015.

VIANA, Nildo. Universo Psíquico e Reprodução do Capital. Ensaios Freudo-marxistas. São Paulo: Escuta, 2008.




[1] Sobre sociabilidade capitalista e seus elementos constitutivos, cf. Viana (2008).
[2] A retórica é uma forma de discurso cujo objetivo é vencer o debate a qualquer custo e lançando mão de estratagemas desonestos, tal como mudar de assunto, escandalizar, adjetivos pejorativos, etc. A esse respeito, o filósofo Schopenhauer escreveu a obra “Como vencer um debate sem precisar ter razão” (SCHOPENHAUER, 2003).
[3] Jogo de cartas.
[4] O Whist, também chamado, de forma aportuguesada, de Uíste, é um jogo de baralho de duas duplas.
[5] São jogos que, supostamente, não exigem grande esforço intelectual. O dominó, por exemplo, poderia ser comparado ao xadrez, sendo este muito mais complexo e exigindo concentração e esforço intelectual muito superior. O dominó é um jogo mais popular nas classes desprivilegiadas e o xadrez mais popular nas classes privilegiadas.
[6] Louis Charles Jean Robert de Mazade (1820-1893), foi um historiador, jornalista e cronista francês. Ele é autor de “Crônica da Quinzena”, publicada na Revue du Deux Mondes.
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Publicado originalmente em:
PEIXOTO, Maria Angélica e VIANA, Nildo. Bem-Vindo à Falsidade - Superficialidade e Mediocridade no Conto Machadiano "Teoria do Medalhão". Revista Poeticus. Vol. 04, num. 08, jul./dez. de 2017.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Intelectuais e Popularidade


INTELECTUAIS E POPULARIDADE
Nildo Viana


É a prova de uma mente inferior o desejar pensar como as massas ou como a maioria, somente porque a maioria é a maioria. A verdade não muda porque é, ou não é, acreditada por uma maioria das pessoas.
[Afirmação atribuída]
Giordano Bruno

O desenvolvimento da sociedade moderna, da tecnologia e dos meios de comunicação possibilitou, na contemporaneidade, a emergência de novos tipos de intelectuais, convivendo com os antigos. Um desses novos tipos é o daquele cujo interesse intelectual principal é a popularidade. Sem dúvida, isso sempre existiu e foi materializado na figura dos intelectuais venais[1]. No entanto, esse novo tipo acaba ganhando novas características, sendo que uma delas é seu vínculo com os meios tecnológicos de comunicação (internet e redes sociais virtuais) e sua posição política declaradamente de “esquerda”. Desenvolveremos uma breve análise desse tipo de intelectual nas próximas linhas.

Um dos objetivos fundamentais do “intelectual popular”[2], ou, para usar termo mais adequado, “populista”[3], é a popularidade. Assim, o que interessa é usar o discurso que mais agrada, especialmente ao seu “círculo próximo” (seus pares, ou seja, colegas de trabalho ou profissão, seus contatos e alunos, seus seguidores de redes sociais, seus correligionários, muitas vezes de forma eclética e ambígua, pois necessita “agradar a gregos e troianos”). É por isso mesmo que ele é dado a alianças, com os conservadores em seu local de trabalho e colegas de profissão, pois podem e são úteis para seus interesses pessoais, e também com posições à “esquerda”, nos processos políticos longe do seu local de trabalho, pois faz parte de suas pretensões, estar presente na vida das mobilizações e setores progressistas, seu “público reserva”.

Ao lado da possível busca de dinheiro, fama, etc., esse tipo de intelectual tem na popularidade o seu foco. O número de curtidas em seu facebook é, por exemplo, um medidor importante. A queda do número de curtidas pode significar a necessidade de evitar certos assuntos ou posicionamentos, certos colegas “impopulares” (por serem mais coerentes, por ter determinada concepção política, por sua radicalidade, etc.). Ele está sempre de olho nos modismos, nas correntes predominantes de opinião, na “preferência do público”[4].

O oportunismo é uma das características do intelectual populista. O intelectual populista acaba perdendo sua essência, pois, para parafrasear Marx, “quando mais ele se fia em sua popularidade, menos tem de si mesmo”[5]. Transforma-se, para parafrasear Musil, num “homem sem personalidade”, embora este não precisa ser parafraseado, pois o intelectual populista também é um “homem sem qualidades”, bem próximo ao protagonista do seu romance, só que em versão atualizada e contemporânea.

A motivação fundamental do intelectual populista são seus interesses pessoais: dinheiro, fama, popularidade e outras vantagens derivadas. Como esse tipo é predominantemente masculino, a “conquista de mulheres” entra na lista de alguns deles. Apesar disso esse tipo de intelectual se sente à vontade para falar e acusar os demais de “machismo” e outros termos que agradam parte do seu círculo próximo e que estão em evidência nos meios em que atua. A hipocrisia é outra característica desse tipo de intelectual. Vai cada vez mais se tornando um joguete da hegemonia burguesa, se aliando com qualquer um que resulte em vantagem, perdendo toda e qualquer radicalidade e compromisso com a verdade. Assim, quanto mais popularidade, menos verdade, menos personalidade, menos radicalidade, menos profundidade, menos honestidade. Claro, isso não é uma lei e sim uma tendência, pois existem exceções.

Esse tipo de intelectual usa as redes sociais virtuais para falar de si e com postagens curtas, pois sabe que o “público” geralmente não lê longas postagens (segundo um intelectual populista “ninguém merece esses textos longos”) e ele não tem nenhuma pretensão de colaborar com o desenvolvimento da consciência ou da cultura, apenas quer ser “lido”, ou pelo menos, “curtido”. O intelectual populista tem ideias curtas e curtas postagens. Além de geralmente fazer depoimento pessoal visando ganhar simpatia e aplausos de sua plateia, fica sempre na superficialidade e no mundo das impressões, às vezes dando aparência de seriedade e profundidade (uma citação aqui ou ali, por exemplo). Outros pegam temas que estão em destaque na imprensa ou no seu círculo de reconhecimento e reproduz o mesmo em alguma discussão supostamente “crítica” e “progressista”. Alguns buscam transformar coisas corriqueiras em grandes questões, bem como se apresentar como vítima, injustiçado, incompreendido, arrependido. Isso incluí até “autocrítica” e mostrar os próprios defeitos que, uma vez expostos, se transformam em qualidades. Reconhecer um ato de desonestidade, por exemplo, rende o elogio pela honestidade por ter assumido isso. Essa é a mágica da transformação da desonestidade em honestidade. O cinismo é outra característica do intelectual populista.

Buscar popularidade, em si, não é algo condenável. Os intelectuais, geralmente, buscam popularidade, por razões distintas, além do desejo de reconhecimento de sua produção cultural (autorrealização), como divulgar ideias (políticas, científicas, etc.), interferir no curso das coisas, manifestar e defender seus valores, ganhar dinheiro, popularizar aquilo que considera verdadeiro, justo ou belo, etc. O problema do intelectual populista é que a popularidade se torna seu valor fundamental e tudo passa a estar submetido a ele (às vezes junto com outros valores pouco nobres, como ascensão social, dinheiro, poder, etc.). O intelectual pode buscar popularidade para divulgar ideias, mas, em nenhum caso, deve divulgar ideias para buscar popularidade[6].

Enfim, o intelectual populista, no plano intelectual, realiza na prática o que foi aconselhado por Machado de Assis em Teoria do Medalhão. Quando ex-militante, não hesitava em atacar ex-companheiros com subterfúgios retóricos, calúnias e difamação, para demonstrar aos seus novos companheiros e mestres, que agora é um aliado confiável, regenerado, e que pode ser aceito tranquilamente, já que não lhe resta mais nenhum resquício de compromisso com a verdade, a honestidade e a radicalidade. Trata-se de uma figura patética e medíocre, aplaudido por desavisados, ingênuos, desinformados e por seus semelhantes.

O intelectual populista fica cada vez mais desacreditado nos meios mais informados e politizados, embora em alguns casos isso demore um certo tempo. O futuro do intelectual populista é desaparecer com o passar dos anos, pois a juventude vai se perdendo e a lei do mínimo esforço se torna mais imperativa. A época do estrelato passou. No início “a estrela sobe”, tal como a personagem de Marques Rebelo, e depois ela cai. O intelectual populista volta para o fundo do poço do esquecimento geral, pois ficou tão embriagado com a popularidade momentânea que abandonou qualquer coisa significativa, duradoura, verdadeira. Ao desistir de sua humanidade e escolher a mundanidade não só escolheu o seu presente de popularidade passageira, mas seu futuro como ser humano medíocre, sem ideal e sem utopia, tal como o definia Ingenieros (s/d) e sem qualquer motivo para ser lembrado, a não ser sob forma negativa. Em sua lápide estará escrito: “aqui jaz um intelectual populista, que era aplaudido por algumas centenas de leitores superficiais e agora no seu túmulo tem apenas a leitura devoradora dos vermes”.

Referências

INGENIEROS, José. O Homem Medíocre. Curitiba: Chain.

MACHADO DE ASSIS. Teoria do Medalhão. Contos Filosóficos. São Paulo: Sesi, 2014.

MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Sobre Arte e Literatura. São Paulo: Global, 1986.

VIANA, Nildo. As Esferas Sociais. A Divisão Capitalista do Trabalho Intelectual. No prelo, 2015.

VIANA, Nildo. Intelectuais Venais e Axiologia. Revista Axionomia. Ano 01, num. 01, jan./jul. 2015.





[1] Sobre intelectuais venais e outras posturas intelectuais, cf. Viana (2015). Isso não se aplica a todos os intelectuais venais, pois o dinheiro é seu valor fundamental. A popularidade é útil quando gera dinheiro. Em alguns casos, a popularidade é um valor importante ao lado do dinheiro, que mantém a supremacia.

[2] Aqui não se trata do uso tradicional do termo, que seria equivalente a “artista popular”, pois a este denominamos “intelectual amador”.

[3] O termo intelectual populista, aqui, não expressa uma postura intelectual (que pode ser venal, hegemônica, dissidente, ambígua, amadora, engajada) e sim uma forma específica de manifestar uma determinada relação com o público e conseguir popularidade, que pode ser manifestação da postura do intelectual venal ou do ambíguo. O intelectual populista pode ser uma prefiguração de um intelectual venal ou manifestação singular do intelectual ambíguo. Sobre essas duas posturas intelectuais, há uma síntese no artigo acima citado.

[4] Aqui, no caso, significa o “círculo próximo”. Sobre os intelectuais e sua relação com o público e os círculos de reconhecimento, o meu livro As Esferas Sociais, ainda a ser publicado, apresenta uma análise útil para sua compreensão.

[5] A frase de Marx é traduzida sob formas diferentes em distintas traduções dos Manuscritos de Paris (também chamado de Manuscritos de 1844 e Manuscritos Econômico-Filosóficos). Essa nos parece mais adequada e constará da tradução em que em breve será publicada.

[6] Essa frase é quase uma paráfrase de Marx: “o escritor deve ganhar dinheiro para poder viver e escrever, mas, em nenhum caso, deve viver e escrever para ganhar dinheiro” (MARX e ENGELS, 1986).

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