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Booktrailer do livro "Karl Marx: A Crítica Desapiedada do Existente".
Autor: Nildo Viana
Dados: VIANA, Nildo. Karl Marx: A Crítica Desapiedada do Existente. Curitiba: Prismas, 2017.
Karl Marx foi o autor mais deformado da história do pensamento ocidental. Até mesmo seus seguidores, autointitulados “marxistas” deformaram o seu pensamento. A presente obra vem para resgatar o verdadeiro caráter da teoria de Karl Marx, mostrando como esse autor é distinto das interpretações dominantes. O autor revela a preocupação fundamental que é o ponto de partida de Marx, o seu humanismo, fundado numa teoria da natureza humana e da alienação, promovendo a necessidade de libertação humana. Marx constitui uma dialética materialista e uma teoria da história – materialismo histórico – como sua base teórico-metodológica que lhe permite desenvolver uma consciência antecipadora, ao perceber que a libertação humana ocorre via revolução proletária, instaurando o comunismo, o “autogoverno dos produtores”. O autor mostra, ainda, como Marx foi o primeiro crítico do pseudomarxismo, ou seja, as deformações do seu pensamento a partir dos seus supostos “seguidores”.
Texto da contracapa do livro:
Contracapa::
Assim, o livro apresenta as ideias básicas de Marx, partindo de sua concepção de natureza humana e alienação, modo de produção e luta de classes (materialismo histórico), método dialético e ideologia, teoria do capitalismo e teoria da revolução e do comunismo. Num último capítulo, um balanço da contribuição e da herança de Marx, mostrando o que há de atual em sua concepção, como sua teoria foi simplificada e deformada, como ela contribui para compreender a realidade contemporânea.
O livro "Karl Marx: A Crítica Desapiedada do Existente" é, simultaneamente, uma obra introdutória e profunda. O seu objetivo é apresentar as ideias de Marx e promover uma leitura rigorosa, que dê contra de explicitar os pontos essenciais do pensamento do autor da forma mais clara e objetiva possível. Nesse sentido, a forma de exposição não é a mais utilizada para analisar o seu pensamento (o que também ocorre no caso de outros autores), que é expor seu pensamento de forma cronológica. A forma cronológica é interessante para mostrar as mudanças e alterações, porém, perde no sentido lógico e na coerência e ordem do pensamento do autor. Por isso, nossa exposição é por temas e através de um desenvolvimento lógico e não cronológico, mostrando as bases do pensamento do autor e seus desdobramentos. Porém, para não se perder a historicidade de seu pensamento do autor e mudanças, cada capítulo aponta as primeiras formulações e sua mutação até as últimas, para explicitar tal processo.
A sociedade capitalista é extremamente complexa. Ao ampliar a divisão social do trabalho sob intensidade nunca vista antes na história da humanidade, expandiu, igualmente a especialização e as subdivisões. A presente obra visa abordar um dos aspectos dessa divisão social do trabalho e faz parte de um projeto de análise das formas sociais burguesas. Por conseguinte, o seu objetivo é analisar a divisão social do trabalho intelectual no capitalismo, que faz parte das formas sociais e, portanto, contribui com a compreensão de um de seus componentes fundamentais. Trata-se das esferas sociais, que já foram denominadas por outras formas, mas que sempre se referiu a um certo conjunto de relações sociais que constituem o fenômeno que assim denominamos.
As esferas sociais surgem com o capitalismo. É parte das formas sociais burguesas. Essa parte das formas sociais possui especificidade, pois é um lugar de trabalho especializado, mas está inserido no seu interior e no conjunto da sociedade moderna. Desta forma, o presente trabalho visa apontar para uma análise de suas especificidades e relações internas, mas também para sua relação com o conjunto da sociedade, mostrando que não são autônomas e sim determinadas e que fazem parte do capitalismo, exercendo uma função reprodutiva do mesmo. No entanto, aqui buscamos evitar dois equívocos, o reducionista e o isolacionista.
[...]
O objetivo do presente livro é, portanto, superar os dois equívocos e apresentar uma concepção diferenciada de esferas sociais, parte das formas sociais, e cuja compreensão é fundamental para uma análise mais ampla do capitalismo e da produção cultural no seu interior. Para realizar esse processo, é necessário analisar a relação entre capitalismo e esferas sociais. O passo seguinte é analisar o que são as esferas sociais e sua dinâmica interna, para, por fim, analisar suas relações com o capital, o Estado e as lutas de classes. O resultado esperado, para usar terminologia acadêmica, é uma compreensão mais profunda das esferas sociais e sua relação com a sociedade capitalista. Se o resultado foi alcançado, isso cabe ao leitor dizer. Assim, resta o veredicto da leitura.
Sobre as esferas sociais:
As Esferas Sociais, denominadas como "campo" por Bourdieu e por "esferas", por Weber, são concebidas nessa obra como subdivisões da classe intelectual, formando suas frações de classe, tal como a esfera artística, a esfera científica, a esfera técnica, a esfera jurídica, a esfera religiosa, entre outras. A divisão social do trabalho, tal como teorizada por Marx, é o elemento fundamental para explicar as esferas sociais. O livro analisar as diversas esferas em sua dinâmica interna e em sua relação com a totalidade das relações sociais.