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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A EDUCAÇÃO E A CALAMIDADE NO COLÉGIO GOYASES

A EDUCAÇÃO E A CALAMIDADE NO COLÉGIO GOYASES

Nildo Viana*

A calamidade ocorrida no Colégio Goyases, no Conjunto Riviera, em Goiânia, no dia 20 de outubro de 2017, quando um jovem baleou sete colegas, aponta para graves problemas sociais e educacionais. A compreensão desse processo é fundamental e sem ela não há como evitar sua repetição. Essa calamidade ocorreu, no entanto, em uma escola. Isso tem implicações no processo educacional e expressa outro problema grave na sociedade brasileira: a insuficiência e o esfacelamento da educação, especialmente no Brasil, embora seja algo mundial. É por isso que vamos refletir sobre esta calamidade no Colégio Goyases.

A explicação da calamidade ocorrida no Colégio Goyases remete para diversos problemas sociais, tais como a sociabilidade competitiva, os valores dominantes, o narcisismo e enfraquecimento da capacidade de frustração que vem atingindo parte da sociedade, o processo cultural e educacional geral. Cabe destaque ao problema educacional. A socialização é realizada na família, na escola, meios de comunicação, etc. A socialização através da família tem como um de seus principais elementos a educação sentimental. Isso é fundamental para não desenvolver indivíduos incapazes de amar e respeitar os demais seres humanos. A educação escolar, por sua vez, exerce a função de preparar o indivíduo para viver em sociedade e desenvolver sua formação intelectual, de acordo com as exigências sociais (que varia com época, etc.), mas que geralmente reproduz os valores dominantes, a competição, etc.

O caso do Colégio Goyases é marcado por diversas opiniões fundadas em especulações. Não há informação suficiente. Menos ainda de fontes confiáveis e verificadas. O discurso de pais, testemunhas, entre outros, são versões dos acontecimentos e não relatos fidedignos dos mesmos. Por isso é provável, mas não uma certeza, que problemas familiares e escolares estavam envolvidos no desencadeamento deste acontecimento.

A lição que podemos tirar dessa calamidade é que a escola é insuficiente para resolver tal problema, que remete para mudanças sociais amplas, que, por sua vez, atingem a família e a escola. O seu esfacelamento atual (falta de recursos, precarização, impacto da internet, etc.) reforça isso. A escola pode e deve se engajar no enfrentamento pedagógico das questões contemporâneas. Nesse sentido, é necessário que a escola se prepare para repensar as relações internas e permitir o florescimento do pensamento crítico. Uma das questões fundamentais hoje nas escolas é questionar o individualismo, hedonismo, narcisismo, produtos do subjetivismo exacerbado na contemporaneidade, bem como a competição, e apontar para sua superação. Uma prática pedagógica que retome os valores do humanismo e da solidariedade é fundamental no mundo contemporâneo. Esse deveria ser um compromisso da escola e dos professores e uma das ações que pode contribuir para minimizar as possibilidades de repetição dessa forma de calamidade.
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Publicado originalmente no Jornal Tribuna do Planalto, 29 de outubro a 04 de novembro de 2017.


* Sociólogo e Professor da UFG (Universidade Federal de Goiás).

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