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terça-feira, 24 de maio de 2011

Escritos Revolucionários Sobre a Comuna de Paris



Trecho da Introdução

A presente coletânea tem este objetivo [...]. Tornar acessíveis alguns escritos revolucionários[1] sobre a Comuna de Paris e, ao mesmo tempo, resgatar seu caráter revolucionário em contraposição às deformações que domesticam e lhe retiram sua essência. Logo, faz parte da luta de classes e expressa o projeto revolucionário. É por isso que temos, por um lado, escritos revolucionários sobre a Comuna e, por outro, comentários e explicações que após a leitura dos textos, ajudam a esclarecer o contexto e a obra, facilitando assim a interpretação correta dos mesmos.
O texto de Karl Marx sobre a Comuna de Paris é relativamente bem conhecido, embora pouco e mal lido. Esse não é o texto mais divulgado de Marx. Ele é geralmente lido e interpretado a partir da concepção leninista, o que lhe retira o caráter autogestionário e revolucionário. A leitura do texto do Marx deve ser feita não procurando encontrar em seu texto ideias pré-concebidas e sim entender o processo genético de sua constituição e significado. O que Marx realiza é uma leitura da primeira revolução proletária inacabada e seu caráter autogestionário, a “forma finalmente encontrada” de autoemancipação proletária.
O texto de Mikhail Bakunin já é menos conhecido e as traduções para a língua portuguesa são mais recentes. O seu escrito possui o mesmo espírito libertário e revolucionário que o de Marx e também mostra a primeira experiência revolucionária do proletariado analisando sua importância e resultado. É importante resgatar essa obra por ser uma das mais importantes interpretações da Comuna de Paris e que requer uma atenção especial. Bakunin escreve o texto no calor da luta, devido sua passagem pela França e irrupção revolucionária em Paris. Bakunin analisa a Comuna de Paris expondo o momento da destruição do Estado e apontando para sua prática revolucionária, inconclusa, tal como se observa nas afirmações de Marx e outros.
Após estes dois textos, apresentamos um artigo, de Nildo Viana, que compara o pensamento de Marx e Bakunin tendo por base a análise que realizaram da Comuna de Paris, mostrando algumas semelhanças importantes no que se refere a este evento histórico e, ao mesmo tempo, colocando que, apesar das divergências e rivalidade entre ambos, o objetivo e concepções são extremamente semelhantes. Depois apresentamos um texto, também de Nildo Viana, que realiza uma análise rigorosa e mais pormenorizada do artigo de Marx e outro, de Rafael Saddi, que executa o mesmo processo sobre a obra de Bakunin e ambos fornecem materiais interpretativos que contribuem com a compreensão do pensamento destes autores e sua análise da Comuna de Paris.
O texto seguinte é o de Piotr Kropotkin, anarquista russo, escrito dez anos depois da existência da Comuna de Paris. A sua obra possui o mesmo caráter libertário e revolucionário que os textos anteriores, apesar de algumas diferenças interpretativas oriundas de sua concepção de “comunismo anarquista” e de sua avaliação de alguns aspectos da Comuna. Kropotkin reconhece o caráter revolucionário da Comuna e a toma como exemplo de revolução proletária que deveria ter avançado e o faria, se não fosse a “vingança mesquinha” da burguesia, no sentido de promover uma livre federação de comunas que significaria a abolição do Estado e da propriedade privada. Apesar de algumas considerações críticas, Kropotkin reconhece a luta heróica dos comunardos e compartilha sua preocupação no sentido de avançar as lutas proletárias, superando os erros do passado.
Após o texto de Kropotkin, temos um breve comentário de Nildo Viana, no qual busca reconstituir o caminho analítico executado por ele e apresentar brevemente alguns elementos de sua base analítica visando proporcionar uma leitura mais ampla e compreensão de suas colocações e objeções sobre a Comuna.
A seguir apresentamos dois textos de Karl Korsch sobre a “comuna revolucionária”. Os dois artigos de Korsch são de caráter mais teórico e busca reavaliar a significação da Comuna de Paris à luz das mudanças históricas (implantação do capitalismo de Estado na Rússia, crises capitalistas, ascensão das lutas sindicais na Espanha) e de sua busca de compreender esse processo e o papel do marxismo no seu interior, reavaliando as interpretações de Marx, Engels e Lênin. É uma obra pouco conhecida e que sofre interpretações equivocadas, inclusive por desconhecimento da evolução intelectual e preocupação fundamental do autor, que foi marginalizado, como muitos outros, a partir do resultado da contra-revolução burocrática na Rússia e bolchevização dos partidos comunistas, provocando a imposição do leninismo como ideologia dominante dos partidos e intelectuais autoproclamados “marxistas”, mas na verdade pseudomarxistas.
Em seguida, há um artigo, de Nildo Viana, que analisa os dois artigos de Karl Korsch objetivando restituir, a partir da análise de sua evolução intelectual e do contexto histórico no qual escrevia, além da leitura rigorosa do próprio texto, o conteúdo de seus dois textos. Se tais artigos parecem enigmáticos, isso se deve a várias dificuldades interpretativas, que o texto busca diminuir através dos procedimentos acima aludidos.
Por fim, dois pequenos textos sobre a Comuna de Paris mais recentes. Se os textos de Marx e Bakunin foram escritos no ano de sua realização, o de Kropotkin e de Korsch, 10 anos e cerca de 60 anos após, respectivamente, os demais são escritos com aproximadamente 90 anos de distância do acontecimento. Alguns anos antes do Maio de 1968, Guy Debord e amigos integrantes da Internacional Situacionista e Henri Lefebvre, sociólogo francês, redigem pequenos textos sobre a Comuna de Paris, sendo que o texto deste último integrará um livro sobre a mesma, A Proclamação da Comuna. Os tempos são outros, trata-se do capitalismo oligopolista transnacional que segundo sua auto-imagem ideológica é uma “sociedade de consumo” e do “bem estar social” e a superexploração do capitalismo subordinado aliado ao fordismo e Estado integracionista, compondo o regime de acumulação intensivo-extensivo, mantinha certa estabilidade social, que só seria rompida com a rebelião estudantil de alguns anos depois, abrindo a crise deste regime de acumulação. Nesse contexto, marcadas pela ideologia da “integração da classe operária” e do fim da revolução, temos Debord e situacionistas na contracorrente tanto das ideologias e cultura dominantes quanto do pseudomarxismo e assim abre uma análise inovadora, embora com pontos problemáticos devido ao próprio contexto, e apresentam algumas teses sobre a Comuna. Este escrito também é pouco conhecido e vale a pena resgatá-lo. Da mesma forma, o texto de Henri Lefebvre, se insere no mesmo contexto e plano e devido às proximidades de posição e influência recíproca, o seu curto texto tem muita semelhança com o texto dos situacionistas, daí eles terem acusado-o de plágio.
O último texto da coletânea, de Marcus Vinicius Conceição, discute justamente esse processo de acusação de plágio e busca fornecer uma explicação e análise dos dois textos, mostrando as semelhanças e diferenças entre ambos. Um dos destaques está em apresentar o vínculo da concepção de Henri Lefebvre com o leninismo, o que mostra um ponto de diferenciação entre este e os situacionistas.

Sumário


Revolução e Escritos Revolucionários, Uma Breve Introdução
Nildo Viana
A Comuna de Paris
Karl Marx
A Comuna de Paris e a Noção de Estado
Mikhail Bakunin
A Comuna de Paris segundo Marx e Bakunin
Nildo Viana
Karl Marx e a Essência Autogestionária da Comuna de Paris
Nildo Viana
Bakunin e a Comuna
Rafael Saddi
A Comuna de Paris
Piotr Kropotkin
Kropotkin: A Comuna de Paris e o Comunismo Anarquista
Nildo Viana
A Comuna Revolucionária I
Karl Korsch
A Comuna Revolucionária II
Karl Korsch
Karl Korsch e a Comuna Revolucionária
Nildo Viana
Teses Sobre a Comuna de Paris
Attila Kotányi, Guy Debord, Raoul Vaneigen
A Importância e Significado da Comuna
Henri Lefebvre
Plágio, cotidiano e revolução nas análises sobre a Comuna na França de 1960
Marcus Vinicius Conceição

[1] Seria possível acrescentar outros escritos, mas por questão de espaço não seria possível anexar e, consequentemente, analisar mais textos.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Marx e a Essência Autogestionária da Comuna de Paris



Karl Marx e a essência autogestionária da Comuna de Paris


Nildo Viana
*

Resumo:

O artigo apresenta a interpretação da Comuna de Paris por Karl Marx como autogoverno dos produtores, autogestão social. Uma análise minuciosa do capítulo da obra “A Guerra Civil na França” fornece os elementos interpretativos para compreender a percepção da Comuna de Paris como obra autogestionária dos operários parisienses, o que foi um elemento fundamental para o desenvolvimento do marxismo posterior.

Palavras-chave: Comuna de Paris, Karl Marx, Autogestão Social, Proletariado, 1871

Abstract:
The article presents the interpretation of the Commune of Paris for Karl Marx as self-management of the producers, social self-management. A minute analysis of the chapter of the workmanship “The Civil War in France” supplies the interpretation elements to understand the perception of the Commune of Paris as workmanship of self management of the parisians laborers, what it was a basic element for the development of the posterior marxism.

Key words


NILDO VIANA é Professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás; Doutor em Sociologia/UnB, autor de diversos livros, entre os quais
O Capitalismo na Era da Acumulação Integral (São Paulo, Ideias e Letras, 2009) e Manifesto Autogestionário (Rio de Janeiro, Achiamé, 2008)

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: Commune of Paris, Karl Marx, Social Self management, Proletariat, 1871.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Vídeo sobre Marx e a Comuna de Paris


Vídeo sobre Marx e a Comuna de Paris

A Comuna de Paris foi a primeira tentativa de revolução proletária e de caráter autogestionário. Graças a isso se tornou uma referências das lutas políticas dos trabalhadores e inspiração para as concepções libertárias. Este ano haverão diversos eventos em homenagem a esta experiência histórica de grande importância, em Goiânia, Anápolis-GO, Fortaleza-CE, São Luís-MA e diversas outras cidades (clique aqui para ver informações).

Abaixo um vídeo, aúdio em inglês e legenda em português, sobre a Comuna de Paris. Apesar de alguns poucos equívocos (entre eles a afirmação de que a Comuna é a ditadura do proletariado, pois a afirmação é de Engels), e ser simples, dá uma visão geral da Comuna, faltando colocar de forma mais explícita sua essência, o seu caráter autogestionário:



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Informe e Crítica

Simpósio 140 Anos da Comuna de Paris/UFG


Simpósio 140 anos da Comuna de Paris

Entre os diversos eventos que serão realizados em comemoração dos 140 anos da Comuna de Paris, haverá o Simpósio 140 Anos da Comuna de Paris, realizado pelo NEPHC - Núcleo de Estudos e Pesquisa em História Contemporânea. Abaixo o cartaz do Evento:


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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Significado Político e Metodológico da Comuna de Paris - Palestra em Fortaleza


PALESTRA:  140 anos da Comuna de Paris


“O significado político e metodológico da Comuna de Paris”

Profº Nildo Viana (UFG)


15 de Março de 2010 19h

Auditório do Centro de Humanidades da UFC

(Próximo as casas de cultura)


Mais informações:

http://afavordarua.webnode.com.br/

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Evento sobre 140 anos da Comuna de Paris na UFMA

A Comuna de Paris Segundo Marx e Bakunin

domingo, 16 de janeiro de 2011

Evento sobre 140 anos da Comuna de Paris na UFMA

Promoção:

Núcleo de Estudos e Pesquisas Marx-Engels (NEME)


Apoio:

Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

Departamento de Economia da Universidade Federal do Maranhão (DECON/UFMA)

Coordenação do Curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Maranhão (CCCE/UFMA)

Fundação de Amparo a Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico do Estado do Maranhão (FAPEMA)



Coordenação Geral

Prof. Dr. João Claudino Tavares

Prof. Dr. César Augustus Labre Lemos de Freitas

Prof. Dr. Romildo dos Santos Silva



Comissão Científica

Prof. Dr. Idaleto Malvezi Aued – Universidade Federal de Santa Catarina

Prof. Dr. João Batista de Deus – Universidade Federal de Goiás

Profa Dra Bernadete W. Aued – Universidade Federal de Santa Catarina

Prof. Dr. Romildo dos Santos Silva – Universidade Federal do Maranhão

Prof. Dr. João Claudino Tavares – Universidade Federal do Maranhão

Prof. Dr. Ivo Tonet – Universidade Federal de Alagoas

Profa Dra Alexandrina Luz Conceição – Universidade Federal de Sergipe

Prof. Dr. Nildo Silva Viana – Universidade Federal de Goiás

Prof. Dr. Rogério Humberto Zeferino Nascimento – Universidade Federal de Campina Grande

Prof. Dr. Marcelo rodrigues Mendonça – Universidade Federal de Goiás

Prof. Ms. Robson de Souza Moraes – Universidade Estadual de Goiás



Objetivo do Encontro dos 140 anos da Comuna de Paris

O encontro visa possibilitar a discussão ampla da produção científica atual nesse campo e aglutinar pesquisadores de modo a favorecer o intercâmbio científico e o aprofundamento da reflexão sobre os temas fundamentais da luta pelos processos de emancipação humana.



Eixos Temáticos

As comunicações serão divididas em 02 Eixos Temáticos

Eixo Temático 1 – Emancipação Humana e Consciência em Marx

Eixo Temático 2 – Lutas políticas e possibilidades de emancipação dos trabalhadores no século XXI.



Prazos e Normas

05/10/2010 a 31/01/2011– Envio de proposta dos mini-cursos e Comunicações Orais.

15/02/2011- Divulgação dos trabalhos selecionados.

Prof. Dr. Cesar Augustus L.L. de Freitas
comunadeparis140@gmail.com
http://www.140comunadeparis.ufma.br/

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