domingo, 23 de janeiro de 2011

Tropicalismo e Política


TROPICALISMO E POLÍTICA
Nildo Viana*

A relação do tropicalismo com a política é bastante complexa e é isto que permite as mais variadas interpretações. O período histórico em que ele existiu foi marcado pela agitação política. Para alguns, o tropicalismo era conservador. Para outros, ele era revolucionário. Para um terceiro grupo, ele era rebelde. Ocorre, porém, que um movimento artístico não pode ser três coisas ao mesmo tempo. Podemos dizer que é retomando o significado original dos autores que podemos apresentar uma “interpretação correta” (Hirsch)[1] do fenômeno tropicalista. Porém, como se trata de um movimento e não de apenas um autor e tal movimento pode ter em seus componentes posições e ligações políticas diferentes, então a análise é dificultada. Entretanto, a orientação estética do movimento lhe fornece uma determinada unidade também no que diz respeito a política. A relação entre arte e política é vista de acordo com a ótica da autonomia da primeira. Do ponto de vista político, a grande maioria não tinha posições definidas. Gilberto Gil e Caetano Veloso deram depoimentos afirmando que não compreendiam bem o que se passava no mundo político da época.
Sem dúvida, o tropicalismo influenciou o desenvolvimento das lutas políticas. Gilberto Gil, numa entrevista, ao responder a questão colocada pelo entrevistador, que perguntava (comentava) se (que) o tropicalismo não era apenas um movimento musical, pois dava um “corte muito vertical nas coisas”, respondeu que o tropicalismo
“era Insight da realidade brasileira. E mais que na brasileira, na coisa do mundo todo, cê tá entendendo? O que cercava a gente, não era mais... Uma cidade como São Paulo é uma cidade brasileira, mas tem o mundo todo dentro dela, tem tudo, pôxa, o que que há? Paris tá um pouco aqui dentro. Nova York tá um pouco aqui dentro, Londres, Tóquio, cê tá entendendo? Roma, Milão tá aqui dentro. Essas coisas. E a informação de fora chegando, obrigando a gente a tomar atitudes diante disto, a responder a essa inflação de informação e etc., etc., etc.”[2].

Antes de comentarmos tais colocações, devemos citar outro trecho, onde o entrevistador coloca que o tropicalismo seria “bem global”, influindo na maneira de ver e sentir, onde Gilberto Gil responde: “exato, porque ele falava dos costumes, de tudo, do comportamento. Questionava ao nível da alma brasileira. Obrigava as pessoas a tomar outras posições, a rever... então era incômodo. Não que a gente tivesse intenção[3]. Estas afirmações deixam claro que ao nível dos costumes e do comportamento, os representantes do tropicalismo não tinham a intenção de transformar nada e que eles foram constrangidos a dar uma resposta a esta nova situação mundial. Este constrangimento foi imposto inclusive pela imprensa e pela interpretação do movimento. A própria entrevista que colocamos demonstra este constrangimento, onde o entrevistador quer apresentar o tropicalismo como sendo mais “global” do que realmente pretendia ser. A primeira questão feita parte da afirmativa de que o tropicalismo dava “um corte muito vertical nas coisas” e a resposta de G. Gil foi não no sentido que o entrevistador queria dar à sua colocação e sim no sentido de ser um “insight da realidade brasileira e mundial” e por isso o entrevistador refez sua questão, afirmando que o tropicalismo era “bem global” e que “influía na maneira de agir e sentir” e somente neste momento que Gilberto Gil confirmou o que o entrevistador queria ouvir, já colocado na primeira pergunta (sobre o “corte mais vertical”). Daí apresentamos a nossa hipótese da ambivalência do tropicalismo: ele era um movimento artístico esteticista que foi constrangido pela situação histórica mundial e nacional a assumir um caráter constestador, que ultrapassava sua pretensão esteticista.
Neste sentido, não é possível apresentar o tropicalismo como sendo conservador, rebelde ou revolucionário. A letra de uma mesma música fornece munição para “fundamentar” tal interpretação. É o que ocorre, por exemplo, com Alegria, Alegria, de Caetano Veloso. Ela é considerada (ao lado de Tropicália e Geléia Geral) como uma das mais representativas músicas do tropicalismo. Sendo assim, nela deveria estar contidos os elementos essenciais do movimento tropicalista. Este é um dos motivos, entre outros, de muitos estudiosos da MPB terem se debruçado sobre ela. As interpretações são diferentes e às vezes contraditórias. Reco­lhemos algumas das principais interpretações e apresentaremos alguns trechos delas juntamente com a reprodução da letra de Alegria, Alegria.
ALEGRIA, ALEGRIA
(Caetano Veloso)
caminhando contra o vento
sem lenço, sem documento
no sol de quase dezembro
eu vou
o sol se reparte em crimes
espaçonaves guerrilhas
em cardinales bonitas
eu vou
em caras de presidentes
em grandes beijos de amor
em dentes pernas bandeiras
bomba e brigitte bardot
o sol nas bancas de revista
me enche de alegria e preguiça
quem lê tanta notícia?
eu vou
por entre fotos e nomes
os olhos cheios de cores
o peito cheio de amores vãos
eu vou
por que não? por que não?
Ela pensa em casamento
e eu nunca mais fui à escola
sem lenço sem documento
eu vou
eu tomo uma coca-cola
ela pensa em casamento
uma canção me consola eu vou
por entre fotos e  nomes
sem livros e sem fuzil
sem fome sem telefone
no coração do brasil
ela nem sabe até pensei
em cantar na televisão
o sol é tão bonito
eu vou
sem lenço sem documento
nada no bolso ou nas mãos
eu quero seguir vivendo
                                       amor

eu vou
por que não? por que não?

A primeira interpretação afirma que o tropicalismo é um movimento artístico de caráter político-revolucionário. Segundo Cláudio Coelho, o tropicalismo apresentava uma nova concepção de revolução social em oposição à visão da “esquerda tradicional”:
“os tropicalistas, ao oferecerem uma versão da realidade brasileira alternativa à da esquerda, estavam, ao mesmo tempo, construindo uma versão alternativa da idéia de revolução. Entendo que os tropicalistas compartilhavam a visão da esquerda de que a produção artística devia estar associada a transformações revolucionárias, discordando da esquerda, apenas, no entendimento do que seriam estas transformações”[4].

A segunda interpretação é a que apresenta o tropicalismo como sendo um movimento rebelde. Segundo Heloísa Buarque de Hollanda e Marcos Gonçalves,
“Na canção de Caetano, a novidade de uma letra construída  a partir de referências ao cotidiano da cultura urbana, montando uma espécie de painel do fragmentário mundo das bancas de revista, das fotos e nomes, das espaçonaves e guerrilhas, iluminado pelo brasileiríssimo sol de quase dezembro (...). Notem-se, além da referência às mitolo­gias da comunicação de massa, a crítica musical, explícita na bem-humorada alusão à ‘canção que consola’ quando a MPB procura­va desenvolver uma retórica da revolta e a crítica comportamen­tal, influenciada pela atitude hippie de quem vai pelas ruas sem lenço e sem documento, nada no bolso ou nas mãos. Certas problemáticas localizadas ¾ a família, o casamento, a roupa, o corpo, o amor, etc.  passavam a ser valorizadas e em certo sentido “politizadas” pela intervenção do grupo baiano, numa tentativa de recolocar o repertó­rio de preocupações tidas como legítimas ou prioritárias pelo pensa­mento de esquerda. Por que não?”.
 “entre a exi­gência política e a solicitação da indústria cultural, optou pelas duas. Ou melhor: pela tensão que poderia ser estabelecida entre esses pó­los. E aqui tanto o sentido dessas exigências quanto a adequação aos esquemas do consumo de massa foram objeto de um redimensiona­mento. Na opção tropicalista o foco da preocupação política foi des­locado da área da Revolução Social para o eixo da rebeldia, da in­tervenção localizada, da política concebida enquanto problemática cotidiana, ligada à vida, ao corpo, ao desejo, à cultura em sentido amplo. Na relação com a indústria cultural essa nova forma de con­ceber a política veio a se traduzir numa explosiva capacidade de pro­vocar áreas de atrito e de tensão não apenas no plano específico da linguagem musical, mas na própria exploração dos aspectos visu­ais/corporais que envolviam suas apresentações”[5].

Uma terceira interpretação coloca o tropicalismo como sendo um movimento conservador. Segundo José Ramos Tinhorão,
“...Alegria, Alegria, com seus versos finais: ‘sem lenço sem docu­mento/nada no bolso ou nas mãos/eu quero seguir vivendo/amor/eu vou/por que não?/ por que não?, colocava da forma mais clara a dis­posição de rompimento com as expectativas culturais e estilo de vida até então seguidos pelo autor, e que na verdade coincidia com o de tantos outros jovens da classe média dos grandes centros, desejosos de fugir pela via do individualismo, do descomprometimento políti­co e do escapismo hippie à falta de perspectivas e mediocridade do mo­mento histórico posterior ao movimento militar de 1964: sem lenço (porque, desligado do passado, não haveria lágrimas para secar), sem documento (uma vez que nada devia identificar o indivíduo com o sistema), nada no bolso ou nas mãos (quer dizer, ‘sem livro e sem fuzil’, ou sem responsabilidade ideológica ou política, como indicava outro verso da mesma canção), eu quero seguir vivendo/amor (ou seja, fugindo egoísta e hedonisticamente às responsabilidades soci­ais), o que desde logo ¾ antes tantos apelos à disponibilidade total ¾ explicava o último verso em forma de pergunta-sugestão: por que não? por que não? ”.
“O grande erro de perspectiva do poder mi­litar, ao insurgir-se contra a irreverência  e o deboche do tropicalis­mo, através da medida política de expulsão de Caetano Veloso e Gil­berto Gil, foi não perceber que, afinal, a pro­posta dos baianos corres­pondia exatamente, no plano cultural, ao da filosofia de atualização tecnológica programada pelo movimento de 1964 no plano econômico”[6].

O objetivo da exposição destas interpretações  é dar uma visão geral de como um movimento ou uma letra de música pode ser interpretada de forma diferente. No caso de Alegria, Alegria, o que se vê é a afirmação de que ela expressa uma visão revolucionária, rebelde ou conservadora, depen­dendo de quem a interpreta e de que forma a avalia. Estas interpretações são equivocadas por que realizam um procedimento marcado pela sobreposição do caráter político sobre um movimento artístico esteticista. Se o tropicalismo fosse um movimento artístico engajado, este procedimento seria correto, pois neste caso o “motor” de sua ação seria a concepção política, mas por ser esteticista, tais interpretações são equivocadas.
No caso de Tinhorão, o tropicalismo é avaliado a partir de sua concepção nacionalista e é dentro desta perspectiva que o tropicalismo é interpretado. Assim, o que incomoda no tropicalismo é principalmente o uso de instrumentos elétricos (principalmente a guitarra) e a partir desta visão há uma interpretação simplista que coloca o tropicalismo como sendo “conservador” e homólogo ao imperialismo no plano da cultura. Daí se seleciona certos trechos da música, tais como “sem lenço, sem documento”, “sem livros e sem fuzil”, deixando de lado o resto da letra que coloca coisas que contradizem tal interpretação. Aliás, o autor selecionou o último verso mas poderia ter selecionado o primeiro, onde antes da expressão “sem lenço sem documento” se encontra a afirmação “caminhando contra o vento”, o que significa ir “contra” e não a favor. 
Além disso, a idéia de se condenar o tropicalismo pelo uso de instrumentos elétricos e admitir a influência do Rock é extremamente limitada, pois do ponto de vista político não se pode perder de vista que o rock enquanto melodia e o uso da guitarra sempre simbolizaram a rebeldia e, do ponto de vista mais geral, a subordinação do Brasil ao capitalismo superdesenvolvido se dava em todos os níveis da realidade brasileira, tais como tecnológico, cultural, etc., e isto ocorre desde o descobrimento do Brasil. Neste sentido, não é possível ficar defendendo um “purismo nacional”.
A interpretação do tropicalismo como movimento rebelde é precedido por um arcabouço metodológico da historiografia que apresenta a obra como identificada com algum elemento histórico contemporâneo, no caso o movimento hippie, e aí se abre a possibilidade de interpretá-lo como um “movimento rebelde”. Mas as letras das músicas não são tão “rebeldes” quanto parecem e junto com a “intervenção localizada” se apresenta várias referências à realidade política nacional e internacional demonstrando uma certa posição diante da questão social e política. A letra da música onde se vê o cotidiano também se vê falar em crime, guerrilhas, presidentes, etc., e as letras de Tropicália, Soy Loco Por Ti América, entre outras são mais claras nas referências políticas. Estas referências a questões políticas ultrapassavam o universo do cotidiano. No caso de Soy Loco Por Ti América a letra deixa entrever uma posição bem mais radical (segundo C. Coelho ela seria uma canção que “homenageia” Che Guevara) como se vê nas expressões “um poema ainda existe/com palmeiras com trincheiras/canções de guerra quem sabe...” principalmente se levarmos em consideração que um poema tinha um significado muito importante para os representantes do tropicalismo. Some-se a isto o ritmo cubano rumba utilizado na composição melódica e veremos o elogio da luta pela libertação nacional em Cuba.
A interpretação do tropicalismo como sendo “revolucionário” significa uma projeção de posicionamento e desejos para algo que se identifica, ou seja, significa uma vontade de “validar” o tropicalismo transformando-o em algo semelhante ao que se pensa. Sem dúvida, existem muitos elementos críticos nas letras das músicas tropicalistas mas não se pode dizer que se trata de uma nova concepção de revolução. Este exagero só pode ser explicado pela vontade de fazer o fenômeno cultural coincidir com a concepção política de quem o analisa.
A interpretação do tropicalismo como um movimento artístico revolucionário (no sentido político do termo) pode ser contestado, pois existem muitos elementos que desmentem tal concepção. Em primeiro lugar, para o tropicalismo possuir um caráter político-revolucionário seria preciso que os seus componentes tivessem tal posição política. É público e notório que nenhum dos componentes do movimento se considerassem revolucionários ou partidários de posições políticas radicais, seja anarquista, marxista, ou qualquer outra. Basta ver a afirmação de Caetano Veloso sobre a música É Proibido Proibir, a mais explícita música deste compositor em matéria de negação da sociedade burguesa, justamente por se inspirar na revolta estudantil de Maio de 68 em Paris:
“O episódio ‘É proibido proibir’ resume-se no seguinte: Guilherme Araújo, meu empresário, me mostrou na Manchete uma reportagem sobre os acontecimentos de maio em Paris que eu não quis ler pois tenho preguiça de ler. Lembro-me que ele mesmo virou a página e disse: é engraçado, eles pixaram coisas lindas nas paredes. Esta frase aqui é linda ¾ ‘é proibido proibir’. Eu falei. É lindíssima. Ele falou ¾ faça uma música usando esse negócio como refrão. Eu disse ¾ tá. Passou. Eu não fiz. Daí ele me cobrou. Eu disse, faço, fiz. Achei meio boba, mas bonitinha. Todo mundo na hora achou bonita. No dia seguinte eu já achava péssima. Até hoje só gosto do ritmo e de uma parte da letra que diz ‘eu digo sim, eu digo não ao não’. Veio o festival da Globo. Eu não tinha nenhuma música bacana pra botar. Nem muita vontade de entrar no festival. Só me convenci a concorrer quando decidi pegar aquela música que eu não gostava e fazer uma esculhambação com o festival. A canção foi escondida pelo happenning e pelas vaias. Sérgio Ricardo ficou intrigado nos bastidores ao ver minha alegria: ‘não entendo como vocês podem ficar tão contentes de serem vaiados’. Quando voltei para repetir a música já o Gil tinha sido desclassificado (o que me enfureceu porque eu achava o número dele genial) enquanto o meu ‘É proibido proibir’ tinha merecido do júri as melhores notas. Entrei no teatro decidido a dar um esporro. E dei. Disse que o júri era incompetente e a platéia burra ou coisa assim. Tá no disco” .

E acrescenta:
“até hoje me orgulho de tê-lo feito. E me congratulo comigo mesmo pelo fato daquela canção estar esquecida. De fato, falou-se muito do escândalo, mas o disco não vendeu e, de todas as canções que eu escrevi desde ‘Alegria, Alegria’ prá cá, ‘É proibido proibir’ é uma das menos conhecidas do público. Jamais admitirei que alguém a tome como típica do movimento tropicália ou do meu trabalho em particular”[7].

Neste sentido, apesar de podermos discordar da justificativa que Caetano Veloso deu de sua atitude no Festival da Globo, ele deixa claro que a música É Proibido Proibir não expressa sua concepção de mundo e nem suas concepções políticas. Desta forma, se quisermos recuperar o significado original da obra teremos que abandonar o procedimento acima utilizado e reconhecer que o tropicalismo possuía uma orientação esteticista.
A partir de agora buscaremos analisar o que significou este movimento. Segundo nossa hipótese, o tropicalismo, do ponto de vista político, não pode ser considerado conservador, rebelde ou revolucionário. As letras das músicas poderão colaborar para a fundamentação desta hipótese. Como não é possível analisar todas as letras de todas as músicas do movimento, então teremos que selecionar algumas. Quais são os critérios de seleção? O critério será a escolha das letras mais representativas do movimento, a saber: Alegria, Alegria e Tropicália.
Alegria, Alegria é uma das mais conhecidas músicas da tropicália. Assim como todas as letras do movimento, ela é de interpretação difícil devido ao seu caráter antropofágico, onde se mistura tudo. Como já reproduzimos a letra acima, não iremos reproduzi-la novamente, mas apenas comentar seus versos e analisá-la. Caminhar contra o vento pode significar ir “contra” tal como alguns intérpretes afirmam. Mas ao nosso ver isto não é tão evidente assim. Tal afirmação parece mais retomar a música de Chico Buarque, Roda Viva, que coloca em um de seus versos: “a gente vai contra a corrente/até não poder mais resistir”. Caminhando contra o vento pode ter o mesmo significado que caminhar contra a corrente ou então ser apenas expressão da mania tropicalista, tantas vezes alardeada, de montagem de coisas diferentes, fazendo sua mistura geral. Sem lenço, sem documento, que alguns interpretam como “descompromisso” pode significar “desprevenido”, ou seja, sem se importar com as conseqüências de sua atitude anterior (ir contra o vento). Mas também pode significar o contrário da afirmação anterior, ou seja, primeiro se diz que vai contra e depois esse contra é sem algo a oferecer de alternativo.  Lenço significa um recurso para enxugar as lágrimas e documento significa uma identificação. Neste sentido, esta interpretação parece ser a mais adequada. Caetano vai contra a corrente mas sem apresentar uma alternativa, e por que precisaria uma alternativa? O sol de quase dezembro significa que é o sol de quase final de ano e a idéia de final é bastante sugestiva. O sol do crepúsculo, ou seja, o sol que anuncia o seu próprio adeus. Por fim, afirma “eu vou”. Sim, neste contexto, de ir contra a corrente, desprevenido e sem apresentar uma alternativa, ele vai.
O sol do crepúsculo, que anuncia o seu próprio fim, se “reparte em crimes”, “espaçonaves guerrilhas” (sem virgula), “em cardinales bonitas”. O que significa tudo isto? Sem dúvida, há aqui uma referência ao crepúsculo marcado por crimes (que podem muito bem ser os da época, do governo militar) e “espaçonaves guerrilhas” e a união de espaçonaves e guerrilhas sem a virgula pode deixar entrever uma crítica ao movimento guerrilheiro na época que tomou uma atitude pouco realista de aderir a estratégia de guerra de guerrilhas e isto significa, segundo expressão popular, estar “no mundo da lua”, “voando”, e a imagem de uma espaçonave pode muito bem significar isto. Ao mesmo tempo que existe crime, guerrilhas fantasiosas e a aparência de que vai tudo bem como “cardinales bonitas” dá a visão de uma aparência, se afirma “eu vou”.  Em meio a tudo isto é preciso continuar a caminhar.
Caras de presidentes, grandes beijos de amor, dentes e pernas, bandeiras, bombas e Brigitte Bardot, são apenas uma nova referência ao mundo da aparência expresso pelas cardinales bonitas em meio a símbolos políticos, tal como bandeiras, bombas e presidentes. Dois tipos de símbolos que se misturam e retratam a realidade brasileira da época. Os símbolos da aparência enganadora juntos com os símbolos políticos parecem apresentar uma justaposição bastante comum nas músicas tropicalistas mas além disso parece querer desmascarar a aparência ao inserir os fatos políticos no seu meio.
O sol, segundo nossa interpretação, significa o crepúsculo e ele está reproduzido “nas bancas de revistas”, que noticiam crimes, guerrilhas, cardinales, Brigitte Bardot, bombas. E isto pode “encher de alegria” e “preguiça” e pergunta-se “quem lê tanta notícia”? Ora, aqui parece intervir a “subjetividade” do autor. As notícias lhe enchem de alegria (certamente alguns fatos noticiados e não todos, pois são de diferentes perspectivas) e preguiça (basta lembrarmos que Caetano afirmou ter “preguiça de ler” para observarmos isto) e a pergunta (sobre quem lê) reforça esta interpretação. Ele segue o seu caminho.
Fotos, nomes, olhos cheios de cores. É a diversidade já assinalada anteriormente e que é reproduzida pela indústria cultural que se encontra novamente presente aqui. Fotos, nomes, que refletidos nos olhos os enchem de cores. Importante parece a afirmação seguinte: “o peito cheio de amores vãos”. O que significa amores vãos? Significa a falta de convicção e o caráter vão dos amores que estão no peito e que apesar disso continua-se o caminho, e pergunta-se “por que não?”, ou seja, o que se pode argumentar contra? Aqui há um jogo de oposição: ela pensa em casamento (compromisso, responsabilidade) e eu nunca mais fui à escola (fugi das responsabilidades, do compromisso) e “desprevenido eu vou”. Quem é ela? Sem dúvida, a idéia deve estar relacionada com o texto anterior (muitos intérpretes pegam frases isoladas e determinam o conteúdo por esse processo de isolamento arbitrário que permite selecionar só o que se quer ouvir). Como foi colocado anteriormente, havia uma falta de alternativa, ou seja, caminhava-se contra o vento sem apresentar uma alternativa. No peito residia “amores vãos”. Mas surge aí alguém (“ela”) pensando em compromisso, em responsabilidades, em tomada de posição, em uma alternativa, em casamento. A cobrança sendo feita. Quem é ela? Ao que tudo indica a esquerda.
Tomar coca-cola pode simbolizar consumir algo estrangeiro, tal como as guitarras que tanta resistência causou à “esquerda nacionalista” da época. Tomar coca-cola simboliza a aliança entre a música brasileira e estrangeira. Caetano Veloso, acompanhado pelos Beat Boys, grupo argentino de iê-iê-iê que se apresentava nos programas da “Jovem Guarda” com suas guitarras, apresentavam no Festival de Música Popular Brasileira a idéia de aliança do arcaico e do moderno (presente não só nas letras das músicas mas também nos procedimentos dos representantes do tropicalismo), do nacional e do estrangeiro. Mas a “esquerda nacionalista” pensa em casamento, ou seja, em um compromisso com o nacionalismo e a canção de protesto. Uma canção me consola pode significar muito coisa. Para alguns, isto é uma referência à Jovem Guarda, que por ser “alienada”, “consola”; para outros é uma referência à Canção de Protesto, que expressava a impotência da “esquerda nacionalista”, que não podia fazer outra coisa a não ser se consolar com o protesto musical. Esta última interpretação parece ser a mais correta, pois pelo contexto parece ser uma crítica à “esquerda nacionalista” por se iludir com o protesto musical e querer fazer disso a nova forma obrigatória de “prática revolucionária”, exigindo um compromisso permanente com o protesto.
Novamente a referência a fotos e nomes, e se diz “sem livros” e “sem fuzil”, que significa sem concordar com a “esquerda nacionalista” e “livresca” que quer doutrinar através da música de protesto e sem concordar com a “esquerda armada” das guerrilhas. Também sem nome e sem telefone, ou seja, sem identidade política (novamente a falta de alternativa) e sem comunicação, contato. No “coração do Brasil”, pois a tropicália tem a ambição de “deglutir” a cultura brasileira através do que ela tem de melhor (seu “coração”, sua “essência”). Ela (a “esquerda nacionalista”) nem sabe que Caetano pensava em cantar na televisão, não só nos programas da Jovem Guarda e Buzina do Chacrinha, como no próprio programa do movimento tropicalista, chamado Divino Maravilhoso, que foi ao ar de outubro a novembro de 1968. Por fim, o sol novamente aparece agora como “algo bonito”, ou seja, a mistura geral expressa nas bancas de revistas que expressa o mundo conturbado da época ainda assim é considerado “bonito”. Por fim, desprevenido (sem lenço e sem documento), sem dinheiro (nada no bolso), sem bandeiras (nada nas mãos), Caetano quer seguir vivendo e vai seguindo seu caminho, e pergunta novamente: o que se pode argumentar contra?
Após esta interpretação dos fragmentos podemos retomar a idéia geral da letra. A letra tem como tema central a posição de Caetano e do tropicalismo como um todo referente a questão da arte e da política. O texto se caracteriza pela crítica ao nacionalismo da “esquerda” da época tanto no que se refere a questão da arte quanto no que se refere a questão da luta política em si mesma. Negava-se o nacionalismo cultural e defendia a busca de contribuições culturais da cultura estrangeira. Isto é bastante visível não só nas músicas mas também nas próprias afirmações de Caetano Veloso:
“algumas pessoas ficaram histéricas quando ouviram Alegria, Alegria com arranjo de guitarras elétricas. A estes, tenho a declarar que adoro guitarras elétricas. Outros insistem em que devemos nos folclorizar. (..). Nego-me a folclorizar meu subdesenvolvimento para compensar as dificuldades técnicas. Ora, sou baiano, mas a Bahia não é só folclore. E Salvador é uma cidade grande. Lá não tem apenas acarajé, mas também lanchonetes e hot dogs, como em todas as cidades grandes”[8].

Tais afirmações revelam a preocupação com o subdesenvolvimento e a vontade de superá-lo. Mas o problema é deslocado aqui da transformação social para o da superação do subdesenvolvimento, tal como é afirmado em outras oportunidades. O que deixa claro a posição de Caetano a respeito do nacionalismo. Ao mesmo tempo se vê a crítica da esquerda armada e da idéia de que não é necessário apresentar uma alternativa política, pois a arte é autônoma. Sobre isto as afirmações de Caetano são esclarecedoras:
“Já ouvi uma porção de bobagens sobre a bossa nova; já se falou que ela era música de apartamento, música de pequeno-burgueses e uma série de sociologismos imbecis que nem quero repetir”.
“Uma vez me perguntaram porque eu não fazia mais política, e eu respondi: você acha que o toque de violão do Baden Powel é da esquerda ou da direita? Porque uma coisa não tem nada a ver com outra. Tal ou qual opinião política não valida, como também não invalida, o trabalho de arte de ninguém”[9].

Isto não impede o tropicalismo de “caminhar contra o vento” e se opor tanto à “esquerda nacionalista” quanto à direita. Mas porque ir contra a direita? É aqui que se encontra a ambivalência do tropicalismo. Um movimento artístico esteticista que se pretende acima das questões políticas mas que não pode se desvencilhar do envolvimento político. Este envolvimento político fica mais claro em outras letras de músicas, tal como é o caso de Tropicália. A letra desta música apresenta o mesmo “método” de composição usual do tropicalismo. A mistura está presente e também o procedimento de dificultar a sua compreensão, ou seja, de decifrar os hieróglifos colocados. Isto revela uma das facetas do tropicalismo: ele sempre evitou colocar claramente suas concepções, pelo menos em suas letras de músicas e até mesmo em algumas de suas entrevistas e artigos para jornais e revistas. Mas independentemente disto, a letra de Tropicália, apresenta uma determinada visão política do período e assume uma postura contestadora. A seguinte parte da música, mais voltada para questões políticas, é esclarecedora: “eu organizo o movimento/eu oriento o carnaval/eu inauguro o monumento no planalto central do país” simboliza o autoritarismo do estado que comanda tudo, o movimento (expressão de significado amplo), o carnaval (a cultura) e inaugura um “monumento”, ou seja, entra para a história, pois um monumento significa uma obra ou construção que se caracteriza por tentar transmitir à posteridade a recordação de um fato ou pessoa e neste sentido Brasília ganha o rótulo de monumento que garantiu a entrada de um governo nos livros de história. O “eu” aqui é claramente o estado. Mas o monumento é defeituoso (assim como o movimento e o carnaval controlados pelo estado), pois ele “não tem porta”, sua “entrada é uma rua estreita e torta”. Quando se fala “no pulso esquerdo o bang-bang/em suas veias corre muito pouco sangue/mas seu coração balança a um samba de tamborim”, vê-se novamente uma crítica à “esquerda nacionalista” e à “esquerda armada”. O samba de tamborim expressa o nacionalismo arcaico dos adeptos da canção de protesto e o “bang-bang” reflete o caráter fictício do movimento guerrilheiro.  Outras referências políticas estão presentes no texto, mas estas são suficientes para os nossos propósitos. A mistura da cultura brasileira está presente: bossa, palhoça, fino da bossa (programa da bossa nova na TV), Luar do Sertão (de Catulo da Paixão Cearense), brisa nordestina, Ipanema, Iracema, “que tudo mais vá pro inferno” (Roberto Carlos), cinco mil autofalantes (a grafia correta é alto-falantes, mas ao invés de mero erro, mais parece ter sido intencional esta “troca” e neste caso o que se queria dizer é: cinco mil faladores/falantes da “esquerda” da época que falam de si mesmos ¾ por isso, auto, embora se refiram às classes exploradas), monumento moderno, banda (Chico Buarque), Carmem Miranda, etc., etc. E note-se também que a contracomunicação atua na letra da música escrita, onde há o abandono do uso das maiúsculas, tanto para nomes pessoais quanto para inícios de frases.
Há também as músicas mais politizadas, tais como algumas já citadas e Domingo no Parque, de Gilberto Gil; Um Sonho, do mesmo autor, entre outras. Mas a referência constante em certas letras a determinados objetos e assuntos lembram a idéia freudiana do “sonho recorrente”. Bombas, coca-cola, sol, indústria cultural, nacionalismo, etc., estão sempre presentes e fazem parte do universo cultural do tropicalismo. Enfim, as letras de músicas produzidas pelos representantes do tropicalismo demonstram uma mistura geral. Na base desta mistura geral havia a idéia de renovação estética fundamentada na concepção de autonomia da arte.
Onde está a ambivalência do tropicalismo? A nosso ver esta ambivalência pode ser vista no fato do tropicalismo ser um movimento artístico esteticista e ao mesmo tempo ultrapassar o seu próprio esteticismo e apresentar um envolvimento político que não correspondia aos seus objetivos intencionais. Além das letras de música confirmarem isto, pois Alegria, Alegria, Soy Loco Por Ti América, Um Sonho, Domingo no Parque, É Proibido Proibir, Marginália II, Tropicália, entre outras, apresentam uma contestação ao regime militar, o cotidiano e em alguns casos até mesmo a sociedade burguesa como um todo. O esteticismo é bastante evidente no tropicalismo e as declarações que apresentamos não deixa dúvida sob este aspecto. Mas ao lado do esteticismo existia a contestação política que levava a ultrapassar os limites estreitos do esteticismo. Mas o esteticismo subsistia e na música Baby se afirmava soberano.
Como caracterizar politicamente o tropicalismo? Nem esquerda nem direita? Talvez um movimento artístico contraditório do ponto de vista político, que apresentava elementos de ambas as posições políticas mas que predominava a contestação. Portanto pode ser considerado contraditório mas que no interior de sua contradição predominava a postura contestadora, sendo, pois, mais próximo da esquerda, embora não pudesse ser chamado de “revolucionário” (e nem mesmo de rebelde, o que pressuporia uma posição assumida). A orientação esteticista e a-política do movimento foi muitas vezes repetida pelos seus integrantes: “não me iludo e cansei de dizer que não tenho o menor interesse em política. Na época da faculdade achava esse assunto muito enjoado”[10].
A ambivalência do tropicalismo reside, portanto, no seu esteticismo ¾ que significa defender a arte pela arte, o que leva fatalmente ao apoliticismo ¾ e no seu envolvimento político através da contestação ¾ o que significa que se ultrapassava o apoliticismo. Os indivíduos que integravam o movimento tropicalista não possuíam posicionamento político definido e o movimento não tinha nenhuma orientação política mas acabou realizando uma ação política através de suas letras. Por quais motivos o tropicalismo se envolveu em questões políticas e tornou-se ambivalente? Algumas afirmações poderão elucidar isto:
“Realmente havia uma diferença entre os nossos interesses e os interesses de criação de uma cultura revolucionária e engajada no processo revolucionário que rolava na época. A gente precisou botar isso em questão, mais do que propriamente definir outra posição. (...). Mas essas questões do nacional e do engajado me interessavam mais naquela época. Todo mundo falava nisso e eu pra defender minha inspiração usava o jargão da época, às vezes até sem muito conhecimento. Na verdade a minha visão do panorama cultural era vaga e o que eu desejava também”[11].

Os representantes do tropicalismo foram “jogados” na arena política, mesmo sem ter muita consciência disto. Foi somente um conjunto de fatores históricos que constrange o tropicalismo a radicalizar e se envolver com a política. O fato da ditadura militar ter se instalado provocava a necessidade de posicionamento contra ela. O autoritarismo atingia também o mundo artístico e os valores “democráticos”, “liberais”, de “liberdade de expressão”, etc. O moralismo dominava o ambiente. Por isto, os representantes do tropicalismo não poderiam apoiar esta situação. No caso das modas artísticas isto era bem possível e os “restos” da jovem guarda não entraram em atrito com a ditadura. Roberto Carlos se tornou o Rei da Música Popular Brasileira e a música apologética passou a dizer que “o Brasil é um país que vai prá frente”, que “somos setenta milhões em ação, salve a seleção”, “eu te amo meu Brasil, ninguém segura a juventude do Brasil”, etc., etc.
Caetano Veloso afirmou que foi eleito, entre outros para representar os anseios da intelectualidade e de outros setores:
“Como Glauber (mais ou menos involuntariamente) tornei-me uma caricatura de líder intelectual de uma geração. Nada mais. Um ídolo para consumo de intelectuais, jornalistas, universitários em transe. Só que jogando sem grandes grilos nos apavorantes meios de comunicação de massas. Isso, creio, é o que fez com que se esperasse demais de mim. Na sua miséria, a intelectualidade brasileira viu em mim um porta-estandarte, um salvador, um bode expiatório”[12].

Mas, como observou J. R. Tinhorão, houve uma vontade de parte da população (que ele chama de “classes médias”) transformar os tropicalistas em “porta-voz” da sua insatisfação. Ele cita a passagem acima transcrita para confirmar isto. A imprensa reforçou tal fato. Mas existiam outros motivos. A própria resistência à ditadura acima citada. Assim, o caráter contestador do tropicalismo pode ser explicada por três motivos fundamentais: em primeiro lugar, o momento histórico e suas pressões sobre a arte, o que era mais forte ainda em um movimento artístico que queria realizar um “insight da realidade brasileira e mundial” (Gilberto Gil); em segundo lugar, um descontentamento de setores sociais (jornalistas, artistas, “classes médias”, etc.) que queriam ouvir uma mensagem contestadora da situação e incentivavam e interpretavam as manifestações culturais neste sentido; em terceiro lugar, a concepção esteticista e renovadora do tropicalismo (que se caracterizava por tentar antropofagicamente “deglutir” todas as contribuições culturais, realizando uma “geléia geral”) apontava para uma visão anti-autoritária da cultura e por conseguinte da relação entre política e cultura e da política em si mesma que entrava em choque tanto com a direita (ditadura militar, moralismo, etc.) e com a “esquerda da época” (nacionalismo estreito, intolerância, etc.).
Tudo isto levou o tropicalismo a se tornar um movimento contestador. Sendo assim, este conjunto de características fez do tropicalismo um movimento artístico ambivalente, que politicamente pode ser considerado contestador, e não conservador, rebelde ou revolucionário. Era contestador por que contestava mas não apresentava nenhuma alternativa ou seja não possuía nenhum projeto, sendo, pois, diferente da rebeldia (vista no movimento hippie, que propunha um novo modo de vida), do revolucionário (que propunha o “socialismo”, seja do tipo soviético, cubano, etc.). O tropicalismo contesta o mundo existente de sua época mas não apresenta nenhuma alternativa. Portanto, o tropicalismo era politicamente contestador e ao adquirir esta característica se tornou ambivalente, pois acabou seguindo por um caminho duplo: esteticista e contestador.


* Professor de Sociologia da AEUDF.
[1]Cf Woolf, Janet. A Produção Social da Arte. RJ, Zahar, 1981.
[2]Gil, Gilberto. Depoimento em 1972. In: Tropicália, 20 anos. Ob. Cit., p. 29, grifos meus.
[3]Gil, Gilberto. Ob. Cit., p. 29.
[4]Coelho, Cláudio. A Tropicália: Cultura e Política nos Anos 60. In: Tempo Social, 1(2), 159-166, 1989,
[5]Hollanda, H. B. & Gonçalves, M. A. Ob. cit., p. 58-59 e 66.
[6]Tinhorão, José Ramos. Ob. cit., p. 259 e 265.
[7]Veloso, Caetano. Apud. Franchetti, P. & Pécora, A. (Orgs.). Caetano Veloso - Literatura Comentada. São Paulo, Abril Cultural, 1981, p. 36.
[8]Apud. Coelho, C. Ob. cit., p. 167.
[9]Cit. por.: Tinhorão, J. R. Ob. cit., p. 257.
[10]Cit. por: Tinhorão, J. R. Ob. cit., p. 258.
[11]Cit. Por: Hollanda, H. B. & Gonçalves, M. Ob. cit., p. 85.
[12] Veloso, Caetano. Apud. Franchetti, P. & Pécora, A. Ob. cit., p. 35.

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Trabalho apresentado no Seminário: “Tropicalismo: a explosão e seus estilhaços”, UnB, 1997 e republicado no livro: VIANA, Nildo. Tropicalismo: A Ambivalência de um Movimento Artístico. Rio de Janeiro, Corifeu, 2007.

6 comentários:

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