segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Que é Alienação?

O QUE É ALIENAÇÃO?


Nildo Viana*

Muitos usam a palavra alienação e falam dos alienados. Porém, poucos sabem o que significa essa palavra. A alienação pode ser entendida como na psiquiatria, a pessoa fora da realidade, que é o sentido mais comum da palavra, e por isso os psiquiatras eram chamadas “alienistas”, tal como no conto de Machado de Assis. Na Filosofia Alemã, a alienação também remetia a esfera da consciência. Esta concepção começou a mudar a partir do novo significado da palavra fornecido por Marx, a alienação como algo prático, real, social, o trabalho alienado.

O trabalho alienado é aquele no qual o trabalhador não possui controle do processo de trabalho, ele é dirigido por outro, o dono dos meios de produção, o proprietário das terras, fábricas, máquinas, etc. O trabalho é uma forma do ser humano se realizar, desenvolver suas potencialidades físicas e mentais, quando comando seu processo de trabalho e coloca uma finalidade nele, este é o trabalho que humaniza e que Marx chamou de práxis, objetivação. No entanto, o trabalho alienado é a negação desse trabalho, é um trabalho forçado, apenas um meio para satisfazer outras necessidades (o salário satisfaz outras necessidades), logo ele é mortificação e o trabalhador foge dele como “o diabo foge da cruz”.

O trabalho alienado é um trabalho heterogerido, ou seja, gerido por outro, pelo patrão, pelo burocrata, etc. Aqui se encontra o segredo da propriedade privada: o trabalhador executa o trabalho sob a direção de outro, este outro, ao dirigir o processo de trabalho, também vai dirigir o seu resultado, o produto do trabalho. Por isso, o trabalho alienado é uma relação social entre o trabalhador e o não-trabalhador. Este último, por dirigir o trabalho do primeiro, se apropria dos produtos que ele produz. Essa é a fonte da propriedade privada, que é apenas um resumo do trabalho alienado. Uma vez existindo, parece ter vida própria e surgindo do nada, mas sua fonte é o trabalho. Assim, o trabalho produz riquezas que não ficam com os trabalhadores e sim com os não-trabalhadores e esses, graças a essas riquezas, controlam os trabalhadores.

Assim, derivado do trabalho alienado, ocorre a perda do produto do trabalho, a exploração do trabalhador, o alheamento do produto. Outra conseqüência disso é que o trabalhador não se reconhece em seus produtos, não se satisfaz e nem o toma como resultado de sua atividade, o que é chamado “estranhamento”. O produtor não se reconhece no seu produto, que parece ter vida própria. Outra conseqüência é que o trabalhador deixa de manifestar suas potencialidades e de se realizar no trabalho, e assim se separa da vida humana, se desumaniza, só se sente bem em suas funções animais (comer, beber, procriar, etc.).

O trabalho alienado é uma relação social na qual o trabalhador se defronta com outro que o dirige. É heterogestão e isto tem como conseqüência a exploração, já que o não-trabalhador se apropria do que ele produz. A alienação do trabalho gera o alheamento do produto. A única possibilidade de superação deste estado de coisas é a autogestão e a igualdade, a práxis e a auto-satisfação. Isso pressupõe a auto-organização da população e a luta pela transformação social, não comandada por dirigentes (heterogerida), partidos, governos e sim por iniciativa própria, de forma coletiva e auto-organizada. A emancipação começa no ato de luta pela emancipação. Não se pode chegar ao fim da alienação através da alienação, e só se pode chegar à autogestão através da autogestão das lutas.

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