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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

DISCURSO, CRÍTICA DESONESTA E CRÍTICA IMPROFÍCUA

 


DISCURSO, CRÍTICA DESONESTA E CRÍTICA IMPROFÍCUA

Nildo Viana


O texto abaixo é um infotexto (um breve texto explicativo de uma questão complementar) que apareceu na Introdução do livro Análise Dialética do Discurso[1]. Ele surgiu para discutir a questão da crítica honesta e da crítica desonesta em determinados discursos sobre outros discursos. A crítica honesta é aquela que o crítico não usa retórica, subterfúgios, argumentos falsos, falsas fundamentações, informações dúbias, entre outros procedimentos, intencionalmente. Ela tem como fundamento a sinceridade (o seu autor não mente, não omite coisas importantes intencionalmente, não oferece falsos testemunhos, etc.) e na ética discursiva (a coerência entre seus valores fundamentais  e suas ações reproduzidas no discurso). O crítico desonesto realiza esses procedimentos, seja de forma predominante, seja de forma acessória. A sinceridade é substituída pela mentira, por afirmações falsas. A ética não se manifesta ou é uma ética problemática (burguesa, individualista, etc.). A ética problemática unida com a insinceridade mostra a desonestidade de forma cristalina. Porém, quando a falta de ética (ou seja, o autor do discurso diz possuir determinados valores fundamentais, mas não os manifesta em suas ações, tal como aqueles que dizem possuir uma "ética humanista" ou uma "ética revolucionária" e agem de forma oposta ao que dizem defender) se une com a insinceridade, pode ser mais difícil identificá-la. Nesse caso, se afirma possuir uma ética, mas a insinceridade já comprova que ela é falsa, é apenas uma forma de defender seus interesses que contradizem os supostos valores que dizem possuir. Além disso, o texto coloca que não basta a honestidade. A crítica desonesta é um discurso antiético e que perde o valor em si mesmo. Porém, existem críticas honestas, no qual não há intencionalidade de usar os procedimentos acima e outros igualmente questionáveis, mas por uma fundamentação falha ou falta de fundamentação, acaba reproduzindo-os ou então, mesmo sem reproduzi-los, realiza uma crítica improfícua, ou seja, inútil. Esse tipo de crítica é inútil como um relógio sem ponteiros, pois não serve para nada. A crítica improfícua não acrescenta nada ao não apresentar fundamentação. Eis uma breve contextualização do texto abaixo.

 

Da crítica se espera mais do que honestidade. A ho­nestidade é fundamental, mas muitas vezes insufici­ente se vier acompanhada de ignorância e opiniões ou convicções não fundamentadas. Assim, as críticas ho­nestas – fundadas na sinceridade e na ética – são ten­dencialmente, e obviamente, melhores do que as de­sonestas. As críticas desonestas caem em contradição, em inverdades, etc. A crítica honesta não é contradi­tória e mantém coerência com os valores fundamen­tais do indivíduo, são sinceras, não cai na retórica, na mentira. 

Isso é fundamental. Mas uma pessoa muito sincera que possui uma determinada crença ou con­vicções, mesmo sendo honesta, pode padecer de mui­tos equívocos em suas críticas. Isso pode ocorrer por simplificação, insciência, entre outros processos. E é aqui que se vê a necessidade de fundamentação, com­plemento fundamental para toda crítica válida. É pre­ciso informações, mecanismos analíticos (método, por exemplo), reflexões, percepção da totalidade. Claro que existem falsas fundamentações, fundamen­tação débil, mas isso ocorre no caso das críticas deso­nestas. No caso da crítica honesta, existem diferentes graus de rigor e profundidade nas fundamentações oferecidas. 

O que interessa, no entanto, é entender a insuficiência da honestidade, pois é preciso uma re­flexão mais profunda. Um indivíduo anarquista que faz uma crítica honesta a um texto de um indivíduo marxista pode mostrar sinceridade e ética, mas a sua crítica, por insciência e falta de fundamentação, pode ser muito equivocada e injusta. Muitos anarquistas são injustos por falta de honestidade – no sentido acima apresentado, e alguns por falta de fundamenta­ção. “De boas intenções o inferno está cheio”, já se disse. 

Portanto, toda crítica honesta e fundamentada é útil para o avanço da consciência humana e é isso que buscaremos efetivar aqui e é isso que esperamos daqueles que efetivam a crítica da presente obra. Isso contribui para o avanço do saber. 

Porém, para além desse caso, é possível que uma crítica desonesta ou não fundamentada chame a atenção e contribua, mas tratar-se-á de uma contribuição involuntária, que é o criticado que extrairá algo dela. Por exemplo, a falta de fundamentação pode promover uma crítica equi­vocada e para isso um trecho da obra pode ser citado e, a partir daí, é possível ao criticado perceber que uma explicação ou redação diferente poderia evitar que outros leitores, por desatenção ou outro pro­blema, caiam no mesmo erro. 

Contudo, esperamos as críticas profícuas, embora o mais comum, no caso dos ideólogos e semelhantes, é o silêncio ou a crítica im­profícua (por desonestidade e/ou falta de fundamen­tação).

 



[1] VIANA, Nildo. Análise Dialética do Discurso. Teoria, Linguagem e Discurso. Tomo 01: Teoria, Volume 01: Linguagem e Discurso. Goiânia: Ragnatela, 2026.


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