OS CONFLITOS PSÍQUICOS EM “SETE MINUTOS DEPOIS DA MEIA-NOITE”
Nildo Viana*
O filme “Sete Minutos Depois da Meia-Noite”, de
J. A. Bayona[1],
é uma obra cinematográfica complexa e que envolve fantasia, sonho, imaginação,
com um fundo sentimental bastante forte, o que dificulta as interpretações da
obra. Como não foi um grande sucesso cinematográfico, junto com a dificuldade
interpretativa, não atraiu muitos materiais de análises mais desenvolvidas. O
filme é um excelente exemplo de união entre universo ficcional fílmico e
psicanálise, pois as temáticas que emergem na obra são psicanalíticas, embora
também tragam questões que são comuns em análises de outras ciências, da
filosofia, marxismo, etc.
O que pretendemos aqui é entender a
mensagem de Sete Minutos Depois da Meia-Noite. Tratar-se-ia de um filme
que aborda a questão do luto, verdade, amadurecimento, entre outras questões,
tal como aparece em comentários na internet? Esses aspectos estão presentes na
obra, mas reduzi-lo a um deles, isoladamente, é um equívoco. Por isso é
importante retomar o universo ficcional e observar o que é fundamental na
mensagem explícita e o que se pode encontrar como submensagens, mensagens
implícitas, etc. Sem dúvida, não poderemos fazer uma análise mais profunda do
filme e teremos que focalizar a sua relação com os temas psicanalíticos. Uma
análise mais totalizante dessa obra cinematográfica fica para outra
oportunidade. A nossa análise aqui será mais sintética e vinculando a mensagem
do filme com questões abordadas pela psicanálise[2].
Antes
de iniciar a análise fílmica, no entanto, é importante fazer um alerta. O filme
aborda questões que os psicanalistas tratam frequentemente, como os sonhos, o
inconsciente, etc. Contudo, uma análise do filme sob forma psicanalítica pode
conter um equívoco grave. O filme não é uma obra psicanalítica e nem foi
produzida por psicanalistas, embora vários elementos – inclusive mostraremos
alguns – possam ser coincidentes com afirmações de determinados psicanalistas[3].
O que interessa é entender que se trata de um filme, uma obra artística,
baseado em obra literária (outra forma de obra de arte) e não “um sonho” ou
algo do tipo. No filme, aparecem sonhos e imaginação, mas dentro de um
exercício mais profundo do uso da imaginação que foi a criação do universo
ficcional de Sete Minutos Depois da Meia-Noite. Esse esclarecimento é
importante para evitar reducionismos psicanalíticos muito comuns e na diferença
metódica entre analisar sonhos e analisar imaginação, e, mais ainda, esses dois
fenômenos psíquicos no interior de um outro, que é um universo ficcional
fílmico.
Para ver o texto completo consulte a obra "Filme e Psicanálise".

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