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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A BANALIZAÇÃO DA INFIDELIDADE PARTIDÁRIA


A BANALIZAÇÃO DA INFIDELIDADE PARTIDÁRIA

Nildo Viana*

Na política institucional brasileira é muito comum a troca de partido político por parte dos políticos profissionais. Muitos são eleitos por um partido e logo se transferem para outros, bem como há casos de indivíduos com passagem por diversos partidos em pouco tempo. É possível citar alguns casos famosos, como Ciro Gomes, que passou pelo PDS, PMDB, PSDB, PPS, PSB, PROS, PDT. Isso provoca a necessidade de explicar a banalização da infidelidade partidária no Brasil.

A explicação geralmente oferecida para esta questão é a falta de partidos políticos fortes e programáticos. Isso, no entanto, explica apenas parte do problema. No fundo, existem partidos políticos fortes, mas sua força não reside no seu programa e sim em suas vitórias, número de cargos públicos, estrutura, poder financeiro. O problema da falta de programa ou “ideologia” não explica tal troca constante de partidos, pois mesmo os partidos pequenos e mais programáticos da esquerda também convivem com esse processo de troca, geralmente dentro do mesmo espectro ideológico. Os políticos profissionais não possuem programas ou ideologias e por isso o problema não reside nos partidos.

O que explica isso é o jogo de interesses dos políticos profissionais, pouco preocupados com programas, ideologias, população e causas sociais. Muitos políticos trocam de partido por procurar melhorar a possibilidade de eleição ou reeleição, de acordo com a situação, popularidade, acordos, estrutura dos partidos ou o jogo de alianças (coligações, por exemplo). Em síntese, o que explica a troca de partidos é, na maioria dos casos, os interesses pessoais dos políticos profissionais e a facilidade institucional para sua concretização.
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Publicado originalmente no Jornal O Popular.




* Sociólogo e Cientista Político; Professor da UFG (Universidade Federal de Goiás).




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